Patentes: mesmo com avanço, País ainda patina
O Brasil subiu da 27ª posição no ranking de países que mais registram patentes em 2005 para a 24ª posição em 2009. Há cinco anos, o País havia registrado 270 patentes. Em 2009, esse número chegou a 480, superando Irlanda, África do Sul e Nova Zelândia. Embora, tenha sido um avanço de quase 100%, o Brasil foi responsável por apenas 0,3% das patentes internacionais registradas no ano passado. Ou seja, o equivalente a apenas uma fração das inovações registradas pelo setor privado e entidades de pesquisa no planeta. O registro de patentes é considerado como um índice do desenvolvimento tecnológico e de pesquisa dos países.
Registros
Para se ter uma ideia, no ano passado, em plena recessão, a Toyota sozinha registrou no mercado internacional mais de mil patentes. Companhias multinacionais como Sharp, LG, Dupont, Motorola ou Microsoft também apresentaram mais patentes que todo o setor privado e institutos de pesquisa do Brasil, o que mostra a distância entre o País e os principais centros de inovação. Só a Panasonic registrou um número de patentes cinco vezes maior que todo o Brasil.
Outros países
A dimensão do avanço brasileiro também fica comprometida quando comparada com a de outros países emergentes. No ranking geral desse grupo, o melhor colocado é a Coréia do Sul, em quarto lugar, com 8 mil patentes em 2009.
A China, por sua vez, registrou em 2009 mais de 7,9 mil patentes e já superou França e Reino Unido em inovação. Hoje, o gigante asiático é a quinta economia mais inovadora do mundo. Entre 2008 e 2009, os chineses aumentaram os registros em 29,7% e uma de suas empresas, a Huawei Technologies, é a segunda maior responsável por patentes no planeta. Sozinha, a empresa tem mais de 1,8 mil títulos registrados apenas em 2009. Ela só é superada pela Panasonic, do Japão.
Líder
A maior responsável por patentes no Brasil em 2009 foi a Whirlpool, com 31 pedidos e a 565ª posição no ranking mundial. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é a 858ª maior responsável por patentes no mundo em 2009, com 20 pedidos. Elas são as duas únicas representantes brasileiras entre as mil empresas e instituições que mais registram patentes.
No ranking geral, a liderança ainda pertence aos Estados Unidos, que registrou no ano passado 45,7 mil títulos, quase 30% do total no mundo. Mas o número de invenções no território norte-americano está em queda. Entre 2008 e 2009, a retração foi de 11,4%. Em segundo lugar veio o Japão, seguido pela Alemanha. Todos os países ricos sofreram uma queda nos registros no ano passado.
De acordo com os dados da OMPI, o volume de patentes registradas no mundo em 2009 sofreu a primeira queda em 30 anos diante da recessão. Para o diretor-geral da instituição, Francis Gurry, a redução de 4,5% é decorrente de dificuldades que empresas possam ter em obter financiamento e do corte de orçamentos no setor de pesquisa. Em 2008, foram registradas 164 mil patentes ante 155,9 mil em 2009, de acordo com o levantamento.

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