Associação Comercial e Industrial de Limeira

21 a 27 de janeiro de 2010

Economia

Orçamento familiar na lista de
prioridades das empresas

Funcionário feliz trabalha melhor. Pode parecer um clichê, mas a afirmação é a mais pura verdade quando se trata da satisfação de ter o orçamento em ordem. Investir na saúde financeira dos funcionários pode significar melhora do lucro de uma empresa a médio prazo. Companhias que decidiram incluir no plano de benefícios programas de planejamento financeiro conseguiram reduzir faltas ao trabalho e aumentaram a produtividade.
“O funcionário com dificuldades econômicas geralmente sente uma imensa culpa por não ter cumprido um determinado compromisso. Esse empregado acaba entrando em uma onda de negativismo e desesperança que afeta sua vida pessoal e se espalha para a parte profissional”, diz a superintendente de Produtos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Roseli Garcia.

Ajuda da empresa

É nessa hora que programas de ajuda orçamentária são fundamentais. “Mostramos para essa pessoa que sempre há uma saída, mesmo que a longo prazo. Tentamos fazer o funcionário enxergar que é possível reverter a situação, contanto que passe a planejar o orçamento e a renegociar as dívidas já existentes”, observa.
Os resultados dessas iniciativas, segundo Roseli, são visíveis não só na melhora da qualidade de vida do indivíduo. Eles se estendem, principalmente, para o campo profissional. “Funcionário feliz produz mais sim e tem menos problemas com que se preocupar, o que reduz as faltas”, confirma a superintendente. “Por isso, acredito que, atualmente, a orientação financeira tem a mesma importância na política de benefícios da empresa que oferecer creche ou academia”, ela acrescenta.

Vergonha

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O funcionário com dificuldades econômicas sente
culpa por não ter cumprido um compromisso

A Associação Comercial de São Paulo, por exemplo, mantém um programa contínuo de educação nessa área para seus funcionários, com palestras periódicas sobre o assunto. O trabalho inclui também distribuição de cartilhas a respeito do tema, como a “Administre bem seu orçamento doméstico e limpe seu nome na praça”.
Um dos maiores obstáculos para que esse tipo de programa tenha os resultados esperados, de acordo com Roseli, é fazer com que o colaborador se sinta à vontade para falar e enfrentar o problema.
Algumas empresas mantêm programas nas redes internas (intranet), que permitem que o profissional tenha acesso a todo tipo de informação relacionada a finanças pessoais e a ajuda especializada, sem necessariamente precisar se identificar.
“Muitas vezes, pode ser constrangedor para o funcionário com problemas financeiros falar do assunto. Ele não quer que os colegas saibam que está endividado, até por sentir vergonha da situação”, afirma a chefe de Departamento dos Correios Margareth Cristina de Castro Campos.

Orientação

Desde 2003 os Correios desenvolvem um programa de gestão orçamentária especial para os funcionários. A proposta é orientar os empregados sobre a importância de planejar adequadamente a destinação do seu dinheiro e, dessa forma, melhorar o gerenciamento do orçamento familiar. Na companhia estatal, não só os trabalhadores têm acesso a esse tipo de orientação como também os familiares podem participar.
Desde que foi implantado, cerca de 270 mil pessoas já participaram das ações promovidas pela empresa. “Esse é um programa que atende empregados e dependentes, principalmente porque as questões financeiras afetam toda a família”, diz Margareth.
Entre as atividades patrocinadas pelos Correios, há cursos, palestras, exibição de filmes sobre finanças pessoais e distribuição de folhetos informativos. Os funcionários têm acesso ainda a planilhas para elaboração de orçamento familiar, disponíveis na intranet da empresa, e participam de cursos que ensinam como aumentar a renda.

Dinheiro extra

A instrutora da área de Educação dos Correios, Marina Maria dos Santos, é uma das funcionárias beneficiadas pelo projeto. Atrás de uma segunda renda para completar o orçamento mensal, ela participou de uma oficina patrocinada pela empresa sobre arte em fita.
“Eu deveria apenas coordenar a oficina, mas decidi que poderia aprender também”, conta Marina. A oficina ocorreu em maio do ano passado. Desde então, a educadora investiu tempo e recursos na confecção de varias peças, como broches, brincos, colares e tiaras, com base no que havia aprendido na oficina. “Nunca achei que tivesse talento para artesanato”, afirma.
Marina passou a oferecer as peças que produzia para colegas de trabalho, que acabaram indicando o artesanato para outros amigos. Hoje ela já vende os itens até para outros estados, mas sua principal clientela continua nos Correios. “Consigo tirar cerca de R$ 300 ao mês só com esse trabalho”, comemora. O dinheiro adicional está sendo guardado para uma reforma que a educadora pretende fazer em sua casa ainda neste ano.

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culpa por não ter cumprido um compromisso