Associação Comercial e Industrial de Limeira
07 a 13 de janeiro de 2010

Mercado

Bovespa pode bater
recorde já em janeiro

Após atingir a barreira psicológica dos 70 mil pontos pela primeira vez desde junho de 2008, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) pode bater seu recorde histórico, de 73.920 pontos, ainda em janeiro, prevêem analistas. A pontuação, considerada uma nova barreira psicológica, foi alcançada anteriormente em 29 de maio de 2008.
“O mercado esperava uma realização de lucro antes dos 70 mil pontos, o que não ocorreu. Se as bolsas brasileira e norte-americana saírem do movimento alternado de alta e baixa e mantiverem os patamares atuais durante mais alguns pregões, a barreira dos 74 mil pontos será ultrapassada facilmente”, aponta o grafista da Lopes Filho Consultoria, José Faria de Azevedo Filho, ao comentar que para que a alta ocorra o índice Dow Jones também deve sustentar a pontuação de 10.700 pontos.
“A gente acha que pode chegar de forma bem rápida aos 74 mil, mas precisar tempo é muito difícil. Tem chance de acontecer já em janeiro ou fevereiro”, avalia o economista e analista da Win, home broker da Alpes Corretora, José Góes. Ele ressalva, no entanto, que, ao atingir ou chegar perto desse patamar, pode haver um pequeno movimento de baixa: “74 mil é o pico histórico; vai ser uma barreirinha até o mercado se convencer de que a Bolsa vale mais que isso”.
Na avaliação dos analistas, os números da economia dos Estados Unidos devem melhorar neste semestre devido às medidas de estímulo do governo local. Por conta disso, no curto prazo, é esperada pouca volatilidade no mercado. “O cenário é bem calmo para os próximos três meses, o que deve manter a volatilidade baixa”, afirma o estrategista da TCX Consultoria, Edgard Tamaki.
“Os dados tendem a ser bons e podem até surpreender. A gente deve chegar ao auge do efeito (dos estímulos à economia) no começo deste ano. Mas, até por causa do seu déficit (das contas públicas), os EUA serão obrigados a retirar alguns desses estímulos. Então, no segundo semestre, a economia (norte-americana) pode começar a decepcionar um pouco”, diz Góes.
Ceticismo
Parte do mercado, porém, se mantém cética quanto à alta da Bolsa. Para o economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, o Ibovespa dificilmente atingirá o pico de 74 mil pontos no primeiro trimestre. Ele identifica duas outras barreiras técnicas até chegar lá: primeiro, aos 71.200 pontos e, depois, aos 72.500 pontos. Por meio de análise gráfica, explica Bandeira, a Bovespa encontra resistência nesses dois patamares, adiando o momento de bater recorde.
Analisando os fundamentos econômicos, no entanto, Bandeira se mostra otimista. “O primeiro semestre é bastante positivo, com a recuperação da economia global e bons indicadores da economia local. E tem o fato de o Brasil estar no radar dos investidores estrangeiros”, avalia Bandeira.
Para o ano, analistas projetam alta, mas mais moderada do que a vista em 2009 (que foi de 82,66%). Góes prevê que o Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, atinja 89 mil pontos no fim do ano, o que significaria uma alta acumulada de 30% no ano.
“Nosso target para o fim de 2010 é de 85 mil pontos. Ainda há um bom espaço para alta, mas ela será mais limitada do que a de 2009. Não veremos um rali como no ano passado”, diz o analista da corretora Link, Rafael Cintra.