Associação Comercial e Industrial de Limeira
17 a 23 de dezembro de 2009

Comércio

Expansão e aquisições à vista

O otimismo dos empresários brasileiros para 2010 não vem apenas do clima positivo do final de ano. Um estudo realizado pela consultoria Deloitte, com 573 empresas, apontou que 95% delas projetam crescimento da própria receita no próximo ano. Além disso, 90% dessas organizações pretendem ampliar os investimentos em 2010, sendo que boa parte desse aporte deve ser direcionada para aquisições. De acordo com o estudo, 41% dos empresários entrevistados alocarão recursos para esse fim. Esse crescimento estrutural, planejado pelas companhias para 2010, pode ser visto como uma defesa contra as perspectivas de aumento da concorrência estrangeira. Para 80% dos entrevistados, os próximos três anos serão marcados pela entrada expressiva de empresas de fora.
A pesquisa ouviu empresas de todas as regiões do País. Essas organizações representam 17,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e têm idade média de 30 anos. A maior porcentagem da amostra – 32% das companhias – está na região sudeste. Cerca de 10% delas são de capital aberto.
Exceções – A pesquisa apontou também que a maioria das companhias – 69% – espera obter crescimento da receita em 2009, na comparação com 2008. Apenas os setores que congregam empresas siderúrgicas, químicas, de metais, de veículos e de autopeças informaram que esperam queda na receita. José Paulo Rocha, responsável técnico pelo trabalho, observa que o levantamento não capta a realidade pontual de empresa por empresa, mas de todo o setor. Segundo ele, mesmo segmentos que receberam incentivos do governo durante a crise, e tiveram resultado positivo no mercado interno – como o de veículos – registraram resultados negativos no exterior.
Com relação às expectativas para 2010, as empresas dos setores de petróleo e gás foram apontadas pelos entrevistados como as de maior potencial de crescimento. Essas devem ser beneficiadas nos próximos anos pelos projetos que virão lastreados pelo pré-sal e por obras de infraestrutura energética.
Sobre o cenário para a economia e o ambiente de negócios para, os entrevistados projetaram um quadro extremamente atraente para investimentos estrangeiros. Para 80% dos ouvidos na pesquisa, as aplicações de empresas de fora do País tenderão a ser ampliadas no período, o que corrobora a tendência de a economia brasileira se tornar cada vez mais global.
Para 2010, os entrevistados informaram que irão priorizar o desenvolvimento e fornecimento de novos produtos e serviços. Para 64% deles, essa é a maior prioridade. O levantamento revela ainda que, atualmente, a receita gerada por novos produtos e serviços corresponde a 10% do faturamento total das empresas ouvidas.
A estratégia de investir nas aquisições foi apontada principalmente por médias empresas, que faturam, em média, R$ 200 milhões ao ano.