Até início da década de 40 o Central era o único cinema de Limeira. Ficava na Barão de Cascalho, esquina da Carlos Gomes e pertencia aos irmãos Esteves: Fausto e Tonico, o primeiro, político e excelente orador, o segundo um dos maiores craques do futebol que a cidade teve. Em outubro de 1940 foi instalado o Cine Vitória. O imóvel pertencia à Santa Casa e sua inauguração mexeu com a vida social de Limeira de vinte e poucos mil habitantes.
O Vitória tinha contratos com as maiores produtoras e distribuidoras de filme: Metro Goldwin Mayer Columbia, Warner Brothers, United Artists e outras de primeira linha.
O Cine Central por sua vez era o que tinha contrato com a Paramount e se gabava disto. A frequência aos cinemas era grande, especialmente ao Vitória, maior deles.
Antes do início dessas sessões havia troca de luzes iluminando o cinema: azul, verde, branco, amarela, sendo exibidas shorts, jornais e desenhos, antes do filme principal, inclusive jornais nacionais e estrangeiros e também antes do início das sessões, executando músicas da época, o que era o xodó da platéia, particularmente dos namorados que faziam pedidos especiais aos gerentes, Srs. Ariosto, Jorge, Bagnoli, Pezzoto e demais.
O Vitória tinha capacidade para 1.200 lugares, 800 na platéia e 400 no balcão. Aos domingos havia duas sessões e uma sessão às 3ª e 5ª.
Quando era filme famoso, como Rebecca, o Cangaceiro, Mazzaropi, Sinhá Moça, Escola de Sereias, o Vitória dava sessões extras. Aos domingos havia sessão zig-zag às 10 horas. Antecipando um filme e de alta categoria um carro com auto-falante percorria a cidade durante a semana anunciando "O Vitória", o palácio encantado da cidade, som e projeção perfeitos anuncia estes espetáculos de classe.
Nos intervalos o público comprava balas na bomboniere do Lencione e na gruta tomava café do Cajus.
Eu mesmo,
Rob
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