As agências de publicidade descobriram a necessidade de aprender a se comunicar com as classes C, D e E sem utilizar em suas campanhas estereótipos preconceituosos, já que apenas a C representa quase 50% da população brasileira, movimenta R$ 760 bilhões e cresceu 31,1% entre 2003 e 2008. O instituto de pesquisa e consultoria Data Popular divulgou uma pesquisa mostrando que esta camada da população continuará consumindo, está sofisticando suas preferencias e já exige atendimento com qualidade. O estudo baseia-se, em parte, nos dados do Atlas do Bolso dos Brasileiros, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles, o atual desafio é falar com este público. “São milhões de consumidores que têm bolso de classe média e ainda têm a cabeça de classe baixa, mas estão aprendendo rapidamente a sofisticar suas escolhas”, diz.
Esta ascensão veio para ficar, segundo o estudo, porque a maioria dos consumidores destas classes sociais é composta por jovens que querem ascender socialmente e que foram favorecidos pelo aumento da oferta de crédito e dos seus rendimentos, além de desfrutarem dos programas de distribuição de renda.
Outro dado importante que a pesquisa indicou é que a população das classes C, D e E também está utilizando outros meios de acesso à informação para escolher os produtos que deseja consumir. Agora, a tradicional troca de impressões boca a boca anda perto do acesso à internet. Sérgio Valente, presidente da agência DM9, lembrou que 27% da classe C acessam a internet e 39,3% têm banda larga. Além disso, 17,7% utilizam o SMS e 6,3% usam serviços telefônicos via internet. Por isso, as campanhas publicitárias precisam ser criadas de modo que possam ser veiculadas em todas estas novas mídias. Uma característica importante deste novo consumidor é que, ao contrário dos compradores tradicionais das classes A e B, ele não quer produtos exclusivos, é fiel às marcas que gosta de consumir e não é solitário, ou seja, é influenciado pela opinião de amigos e familiares. O estudo indicou que, quanto menor a renda, maior a indicação via boca a boca: cerca de 60% das pessoas das classes C, D e E realizam suas compras por indicação de amigos.