Associação Comercial e Industrial de Limeira
17 a 23 de setembro de 2009

Vitrine

Fraude, uma praga para crédito e varejo
As fraudes que resultam em perdas financeiras para as instituições de crédito ou de varejo estão concentradas hoje no financiamento de veículos, no crédito direto ao consumidor (CDC), nos cartões de crédito e débito e no financiamento consignado. “São os segmentos do crédito que mais cresceram nos últimos anos e isso se reflete no aumento das fraudes”, disse Adalberto Savioli, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), durante seminário internacional promovido pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), para debater o crime.

Sem registro
No Brasil não existem dados oficiais sobre fraude. A última pesquisa, realizada pela consultoria KPMG Brasil, data de 2004 e foi voltada para o setor empresarial. Ela mostrou que 76% das empresas já haviam sofrido algum tipo de fraude.
Para o mercado atual, Savioli lança mão da inadimplência observada pelo Banco Central do Brasil. Pelos números do BC, o cartão de crédito registrou, em julho, falta de pagamento em 28,9% das transações; veículos, de 5,3%; CDC, de 15,2%, e consignado, de 8,6%. “Certamente a fraude está incluída nessas porcentagens”, afirmou Savioli.

Caso de polícia
“O que sabemos é que a fraude no cartão de crédito, no Brasil, varia em torno de 0,2% das operações totais. Já nos financiamentos, essa taxa fica entre 0,3% e 0,35%. Nos Estados Unidos, a fraude não passa de 0,8% nos dois casos”, disse Savioli. O executivo afirmou que a fraude é disseminada na sociedade. No caso dos veículos, por exemplo, é cometida tanto por quadrilhas, estelionatários isolados ou por consumidores e comerciantes. Estes, segundo Savioli, utilizam os documentos de clientes, que deixam os carros para vender, e assim montam falsos processos de comercialização. “Reforçam o capital de giro, enquanto pagam as prestações. Mas deu certo até as vendas despencarem com a crise”, observou o dirigente da Acrefi.

Procurar quem?
Só que existem outras formas de fraudar para obter vantagens. As mais conhecidas estão relacionadas a negócios imobiliários, seguros, corrupção no setor público, tecnologia e à lavagem de dinheiro, pouco difundida no Brasil. Mesmo assim, para o delegado Tabajara Novazzi Pinto, diretor da Academia de Polícia de São Paulo, “as leis brasileiras relacionadas aos crimes econômicos são montadas para proteger os criminosos.”

SCPC é importante
Entre as empresas, as fraudes internas são até mortais. Segundo análise do consultor da Performance Risk Management & Security Consultants, George Henry Millard, investir nos funcionários, em processos de gestão e segurança, são as melhores ferramentas para evitar fraudes internas. De acordo com o vice-presidente da ACSP, Antonio Carlos Pela, o nosso SCPC é uma “ferramenta eficaz no combate as fraudes”, disse.