Mais carros, mais empregos. Menos IPI
A desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contribuiu diretamente para a venda de 192 mil veículos, entre automóveis e comerciais leves, no primeiro semestre de 2009. O número representa 13,4% do total de veículos vendidos no período, cerca de 1,4 milhão de unidades. A informação é parte de um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Emprego em alta
O levantamento aponta ainda que o estímulo ao consumo, gerado pela redução do tributo, permitiu a manutenção de até 60 mil empregos diretos e indiretos na economia brasileira ao longo desses seis primeiros meses do ano.
Imposto reduzido
De acordo com João Sicsú, diretor do Ipea, a volta da incidência do IPI – prevista para o final de setembro – não deve ter impacto negativo drástico no mercado. “A economia caminha para a recuperação no segundo semestre. As vendas estão melhores e o emprego está sendo recuperado.”
O estimulo ao consumo gerado pela redução do IPI também permitiu amenizar o impacto que a renúncia poderia ter para a arrecadação do governo federal. Segundo o estudo, a desoneração do tributo ao longo do primeiro semestre de 2009 resultou em uma renúncia de R$ 1,8 bilhão. Entretanto, a análise do Ipea é a de que o estímulo ao consumo de veículos permitiu ao governo recolher outros impostos federais, como o Pis/Cofins ou o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Se a desoneração do IPI não fosse concedida, segundo o Ipea, o desaquecimento do consumo faria a arrecadação do governo cair em R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre, ou seja, resultado um pouco melhor do que o obtido com a desoneração do tributo.
Pequena diferença
Se os números fossem colocados de outra forma, a redução do IPI fez o governo recolher cerca de R$ 550 milhões a menos do que poderia ter obtido se mantivesse o tributo. Essa diferença é considerada pequena por Sicsú, e de acordo com ele, pode ser ainda menor, já que no estudo não foram considerados os impactos do aumento do consumo na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ou na arrecadação previdenciária, entre outros. Além disso, pela análise do Ipea, o estímulo ao consumo permitiu a manutenção de postos de trabalho.
Ele continuou
A redução da alíquota do IPI foi de 100% para 1.0, de 75% para zero quilômetro e redução de 50% para veículos entre 1.0 e 2.0. A redução ou isenção da alíquota vigora desde dezembro do ano passado. O benefício terminaria ao final de junho, mas foi prorrogada para o final de setembro.
A partir deste mês, o IPI volta a subir gradualmente. Pelo acordo entre montadoras e governo ficou definido que a alíquota subirá, em outubro, um terço. Em novembro, vem um segundo aumento e, em dezembro, o IPI volta ao patamar em que estava antes da crise. O governo diz que novas prorrogações estão descartadas
|