Associação Comercial e Industrial de Limeira
13 a 19 de agosto de 2009

Vitrine

Fim da crise
O segundo trimestre marcou a retomada no ritmo de crescimento da receita das principais redes varejistas, após a desaceleração resultante dos efeitos da crise financeira internacional sobre o consumo. Diante dessa nova realidade, algumas companhias revisaram as projeções de abertura de lojas ainda para este ano, estimuladas pelo favorável desempenho operacional do primeiro semestre. A partir do segundo semestre, os resultados devem ser beneficiados ainda pela redução das despesas financeiras, em razão da queda dos custos de captação e dos juros básicos (Selic).

Varejistas voltam a crescer
Um dos principais casos de recuperação das vendas no varejo encontra-se nos segmentos de maior valor agregado, com destaque para B2W, empresa de comércio eletrônico resultante da fusão dos sites Americanas.com e Submarino. Antes da crise, a empresa vinha com um crescimento de 36% na receita consolidada, resultado que desacelerou para 12% no quarto trimestre de 2008 e 6% nos três primeiros meses deste ano. Essa redução no ritmo de crescimento ocorreu pela restrição às vendas parceladas impostas a partir de outubro do ano passado, em razão das incertezas quanto ao comportamento da inadimplência. No entanto, a situação se reverteu de abril a junho, com a receita subindo 22% sobre igual período do ano passado.

Roupas em baixa
Entre as empresas varejistas, as do setor de vestuário foram as que apresentaram os piores resultados nos dois trimestres que se seguiram à crise. Mais da metade das compras realizadas pelos clientes ocorrem a partir do parcelamentos nos cartões, que tiveram seus prazos encurtados e os juros na ponta elevados. A Lojas Renner, por exemplo, apresentou queda de 5,4% na receita líquida das vendas no conceito mesmas lojas no quarto trimestre, resultado que piorou no período de janeiro a março deste ano, quando o recuo foi de 12%, ambos na comparação com igual período do ano imediatamente anterior. No segundo trimestre, a situação voltou a ser favorável, com uma alta de 2,1%.

Tudo vai melhorar
“Os fatores macroeconômicos, como a estabilidade na taxa de desemprego, a redução dos juros e a volta da confiança do consumidor, junto com a queda nas temperaturas, ajudaram nos resultados do segundo trimestre”, concluiu o diretor-administrativo e de Relações com Investidores da Lojas Renner, José Carlos Hruby. Segundo o executivo, o quarto trimestre deverá marcar a recuperação das vendas da empresa, em razão, principalmente, da baixa base de comparação, mas não descartou que o desempenho de julho a setembro se assemelhe com o reportado no segundo trimestre. “Tivemos um crescimento generalizado em todas as regiões do País”, destacou.

Inaugurações
Outra rede varejista de vestuário que prevê uma melhora das vendas a partir do segundo semestre é a Marisa. Diante dos resultados de janeiro a junho, a empresa pretende acelerar seu ritmo de inaugurações de lojas ainda para 2009 – de seis, anunciadas no início do ano, para nove. “Com a retomada da confiança, acreditamos que as vendas irão recuperar a queda do início do ano”, afirmou o diretor-presidente da rede varejista Marisa, Marcio Goldfarb.

Boas vendas
No caso das empresas varejistas que comercializam produtos com tíquete médio menor, como é o caso da Lojas Americanas, cujos produtos possuem um valor médio de R$ 31,69, a precaução em relação aos efeitos da crise levou a uma redução das inaugurações previstas para 2009. No entanto, as vendas mantiveram-se aquecidas. Diante do crescimento de 10% das vendas no conceito mesmas lojas do primeiro semestre, o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Lojas Americanas, Roberto Martins, afirmou que pretende acelerar o ritmo de expansão a partir do segundo semestre, incluindo a revisão das expectativas para as aberturas deste ano de oito para até 14 pontos de venda.

Novos rumos
O Grupo Pão de Açúcar, após adquirir o controle do Ponto Frio, também prevê acelerar as aberturas de supermercados no segundo semestre. A expectativa do vice-presidente executivo da companhia, Enéas Pestana, é de que, após “tomar um maior cuidado” na gestão do caixa no primeiro semestre, quando foram inauguradas seis lojas, o grosso das inaugurações se concentrem de julho a dezembro. Segundo ele, a companhia deverá abrir mais 50 lojas Extra Fácil, oito Assai, seis Pão de Açúcar e quatro Extra, além de mais 15 drogarias e 10 postos de gasolina. Os investimentos no ano deverão somar R$ 750 milhões, sendo aproximadamente R$ 500 milhões na segunda parte do ano.