Associação Comercial e Industrial de Limeira
30/jul a 05/ago de 2009

Orientações Jurídicas

A força destrutiva e
construtiva do inconformismo

Desde que o ser humano existe, o inconformismo o acompanha. Consideram-no, muitos, como o principal fator que nos trouxe os grandes avanços da Modernidade. Pois, enquanto o conformista tende a permanecer estagnado e contente com o que acontece e existe, por sua vez, o inconformado acha que tudo deveria ser melhor. E toma atitudes para que isso aconteça. Assim, o mundo evolui porque há inconformados. Esses vieram a atuar e atuam como grandes revolucionários, grandes estadistas, grandes inventores, grandes artistas, grandes sábios, grandes líderes e até grandes santos.
Vê-se, portanto, que, partindo do inconformismo, pode o ser humano chegar, naquilo a que se dedica, ao ponto mais alto da escala. No entanto, a partir do inconformismo, pode também o homem chegar, naquilo a que se propõe, ao ponto mais baixo da escala. Porque, o inconformado, muitas vezes, tende a destruir a razão que o leva ao inconformismo. Nem será preciso dar exemplos. Pois, todos os dias, os noticiários de todo o mundo estão cheios de atentados; seqüestros; ataques contra escolas e instituições; explosões; golpes; terrorismo; violência e crimes. Tudo como resultado do inconformismo individual ou de grupos. O inconformismo, portanto, pode causar criminalidade. E como é desumano!...
Há também os violentos inconformados com o inconformismo dos que criam esse estado de violência. Com revolta e com certa tendência vingativa esses inconformados com o inconformismo criminoso, por sua vez, sugerem mais reações do que soluções voltadas a evitar a criminalidade. Propõem aumento da pena; redução da idade para apenar menores; pena de morte; liberação da tortura; criação de legislação penal mais rigorosa, etc. Como violência gera mais violência, parece-nos que essas soluções fortes só têm servido para que, com maior inconformismo ainda, os criminosos busquem o fortalecimento e mais armas.
Então, onde estaria a solução? Resposta: Já afirmamos que o inconformismo é um estado de rebeldia que pode tanto gerar um santo, como um criminoso cruel. A solução deve ser encontrada no método que se aplica ao lidar com o inconformismo. É evolutivo o inconformismo transformador. É anti-evolutivo o inconformismo destruidor. Enquanto parte, o primeiro, do que existe para modificar a razão da revolta; o segundo, tende a destruir cega e violentamente o existente para impor-se. Enquanto o primeiro tende a acabar com o inconformismo, o segundo busca preservá-lo ao elevá-lo à condição de vencedor. Por isso o “método” (palavra que significa “caminho para”) ideal é aquele visa a solução do problema que gera o inconformismo. E nesse caso “sentir-se inconformado” também significaria “obrigação de trabalhar para melhorar o mundo”. O método, assim, implicaria no desenvolvimento do idealismo, porque, como já foi dito: “os grandes ideais fazem os grandes homens”. Há exemplos: o inconformismo não violento de Mahatma Gandhi; o inconformismo persistente e fervoroso de Thomas Edison; o inconformismo de Ludwig van Beethoven com a surdez; o nosso Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) que, inconformadamente esculpiu maravilhas nas igrejas de Minas. Isso, sem que falemos dos muitos que, recentemente, contra tudo e todos, tiveram fé e venceram pela virtude. O inconformismo faz sofrer, porém, quando se educa para o Ideal, torna-se uma fonte na qual a virtude faz brotar um rio que conduz ao sentido da vida e ao mar de felicidade para todos.

Do Instituto Jurídico
ACIL