Associação Comercial e Industrial de Limeira

25 de junho a 01 de julho de 2009

Economia

O comércio em recuperação

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, em 2009, deve enfrentar retração entre 0,8% e 1,4%. A insolvência – quando o devedor tem mais dívidas do que sua capacidade de pagá-las – das famílias paulistas possivelmente vai aumentar, em função da fragilidade financeira causada pela crise internacional de crédito e suas consequências no Brasil. Nesse panorama, as empresas varejistas devem tomar cuidados extremos com a formação dos estoques, mesmo levando-se em conta a tendência de queda da taxa de juros em um futuro próximo. As estimativas e a orientação quanto aos estoques fazem parte de um novo estudo, sobre indicadores antecedentes – previsões sobre as tendências para o desempenho de determinados segmentos –, especialmente desenvolvidos para o comércio de São Paulo. O trabalho é resultado de uma parceria entre a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e o economista e pesquisador Claudio Contador, diretor da consultoria Silcon Estudos Econômicos, do Rio de Janeiro (RJ). O acordo vai produzir um relatório de atualização a cada três meses, com os indicadores antecedentes específicos para o varejo de São Paulo. A próxima versão do trabalho será conhecida no início de setembro.

Em recuperação
A edição dos indicadores antecedentes de junho de 2009 aponta para um crescimento positivo do varejo paulista neste ano. A expansão, no entanto, não deve chegar nem perto do desempenho do ano passado, quando o aumento das vendas bateu em 12,8%, na comparação com 2007. A estimativa do indicador para este mês leva em consideração que o consumo das famílias deve manter-se em terreno positivo, com uma variação entre 0,5% e 1,4%, apesar do possível aumento na insolvência familiar. Esse patamar também é muito inferior ao do ano passado.

Reação em cadeia
Esse crescimento, apesar de mínimo, deverá ser baseado no crédito e, portanto, contribuirá para aumentar a inadimplência do setor varejista.
Cada segmento do comércio, entretanto, apresentará um comportamento diferente em relação à expansão do consumo, recuperando-se com maior ou menor velocidade.
“Não estamos prevendo uma situação negra para a economia nos próximos meses, mas também não vemos poucos problemas, um ‘céu de brigadeiro’ como o governo federal tenta fazer crer. Temos ainda um panorama cinzento, muitas dificuldades para enfrentar até essa crise ser superada”, disse o pesquisador carioca.
O indicador antecedente é uma ferramenta que permite, depois de analisados os últimos dados da economia e seus efeitos, antever, no curto prazo, o comportamento macroeconômico e dos diversos setores da economia.
De acordo com o pesquisador, com esse instrumento, as empresas podem otimizar esforços de produção e de comercialização, gerenciar as vendas, administrar estoques, definir estratégias de promoções e de marketing além de estabelecer políticas de preços e negociações com fornecedores e sindicatos.

RETOMADA
Nos super e hipermercados, as vendas cresceram 8,3%, em São Paulo, no ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção para o primeiro trimestre de 2009, que foi confirmada, indicava uma fase de desaquecimento. Agora, o indicador antecedente prevê uma recuperação para o segmento, a partir do terceiro trimestre deste ano.

RETRAÇÃO
De acordo com o IBGE, as vendas no varejo de móveis e eletrodomésticos cresceram 19,6% no ano passado, acompanhando a forte expansão do setor registrada desde 2004. Mas 2009 deverá ser marcado pela retração. No entanto, sinais preliminares indicam que a fase de desaquecimento pode terminar no terceiro trimestre deste ano.

EM MARCHA LENTA
Em 2008, as vendas de combustíveis e lubrificantes cresceram 13,6%. Foi o melhor desempenho anual registrado na economia brasileira nos últimos oito anos. A previsão, no entanto, é de retração no volume de negócios do segmento ao longo do primeiro semestre de 2009.

NADA SALVA
O indicador antecedente prevê uma fase de desaquecimento no volume de vendas das concessionárias de veículos até o final do primeiro semestre deste ano. As previsões preliminares apontam para quedas menos intensas no segundo semestre.