O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu apenas 1,3% em maio, após avançar 2,9% em abril. Apesar disso, a economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Viviane Seda Bittencourt destaca que a terceira elevação consecutiva do índice (em março foi de 0,8%) mostra uma evolução favorável do humor do consumidor. Mas, ressaltou, ainda é cedo para dizer que o brasileiro recuperou a confiança.
“A avaliação do consumidor sobre a situação de suas próprias finanças ainda não está boa. O caminho para uma verdadeira recuperação no ICC passa pela recuperação no mercado de trabalho.” O ICC de maio foi calculado com base em entrevistas em mais de 2 mil domicílios, em sete capitais, entre os dias 30 de abril e 20 de maio.
Humor do consumidor brasileiro vem oscilando, neste ano, sempre influenciado pelo mercado de trabalho. Neste mês, teve pequena melhora, nada principalmente pelas famílias de baixa renda. As boas notícias do mês passado, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre material de construção e produtos da linha branca, e o anúncio do Programa de Habitação “Minha Casa, Minha Vida”, explicaram o otimismo. Em maio, houve ajuste entre as expectativas do consumidor e o cenário real da economia. “Por isso, a taxa do ICC subiu menos”, afirmou ela. Porém, houve melhora significativa neste mês na avaliação do consumidor sobre o atual cenário econômico.
O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Expectativas (IE), que subiu 1,6% em maio, após apresentar alta de 5,2% em abril; e o Índice de Situação Atual (ISA), que teve alta de 1,1% neste mês, após queda de 0,6% no mês passado. “O indicador de situação atual tem apresentado queda desde setembro do ano passado, época do agravamento da crise”, afirma Viviane. A analista da consultoria Tendências Ariadne Vitoriano comentou que, apesar da melhora na margem, a confiança do consumidor ainda está em um patamar baixo. “Em relação a igual período de 2008, quando a economia estava aquecida, houve retração de 10,9% do ICC.” A postura menos eufórica do consumidor não abalou as intenções de compra de bens duráveis, de abril para maio. No período, subiu de 12,9% para 13,3% o percentual de entrevistados que pretendem comprar mais produtos do gênero nos próximos seis meses. A economista diz que, em abril e em maio, o consumidor percebeu um aumento em seu poder aquisitivo, devido ao incentivos do governo para aumentar o consumo.