O setor do luxo vai continuar crescendo neste ano, mas em ritmo menor. É o que demonstra uma pesquisa realizada pela GfK Brasil, em parceria com a MCF Consultoria & Conhecimento. O levantamento mostra que o mercado de luxo teve faturamento de US$ 6 bilhões em 2008, o que representa um crescimento de 12,5% em comparação a 2007. O índice previsto para 2009 em relação ao ano passado é de 8%, com faturamento de US$ 6,45 bilhões. Os lojistas da Rua Oscar Freire, considerada uma das mais luxuosas do Brasil, comprovam os números da pesquisa. Os tempos difíceis preocupam tanto, que os vendedores da região apontam o fechamento das unidades da joalheria Dryzun, da Fause Haten, e do cabeleireiro L’Officiel como sinal da crise.
A gerente da Miss Sixty, Carol Oliveira, afirma que as vendas caíram 30% no primeiro trimestre deste ano em comparação a igual período de 2008. “Os clientes aparecem em razão do trabalho de fidelização. Já não existe mais o glamour de sair gastando na Oscar Freire. O consumidor está muito exigente em relação ao preço e agora pechincha.”
Segundo ela, para estimular os negócios, a Miss Sixty estendeu o prazo de liquidação da moda verão. Começou em janeiro, em vez de fevereiro, e dura até hoje, com descontos de até 70%. “Se a cliente diz que comprou um vestido para ir a uma festa, ela recebe uma ligação do vendedor para saber como foi o evento. Além disso, as moças são atendidas pelos rapazes e vice-versa”, diz Carol.
O tíquete médio de cada consumidor da Miss Sixty caiu 20% nos primeiros três meses do ano. “Em razão da valorização do dólar em relação ao real, o número de produtos importados da grife na Itália foi reduzido – e o total de itens produzidos pela unidade no Brasil aumentou”, afirma Carol. A gerente da Zeferino, Lúcia Rissetto, diz que a crise atrapalhou. “Quem comprava três pares de sapatos, hoje leva um. O atendimento aos clientes é excelente. Essa é a forma de afugentar a crise.” De acordo com Lúcia, o pagamento também é facilitado. ‘Quem compra acima de R$ 5 mil pode pagar em até dez vezes sem juros com cartão Amex. Se o valor for mais de R$ 1,5 mil, o parcelamento é feito em cinco vezes.”
Pesquisa
De acordo com a pesquisa feita pela GfK e pela MCF, os investimentos dos empresários do setor também devem cair. Em 2007, o número foi de US$ 770 milhões; no ano passado, de US$ 950 milhões e, neste ano, a previsão é de US$ 830 milhões. Apesar dos reflexos da crise, as empresas do segmento estão otimistas. Apenas 14% dos pesquisados acreditam que, neste ano, o negócio será bastante afetado pela crise. E 34% dizem que não haverá nenhum impacto. A diminuição da oferta de crédito também não preocupa – 46% das pessoas ouvidas na pesquisa dizem que não serão afetados pela turbulência internacional. E 15% temem ser muito afetados. O estudo O Mercado de Luxo no Brasil – ano III, identificou também que a tributação elevada é o principal obstáculo ao crescimento do setor, apontado por 62% dos empresários.
Foram consultadas 102 empresas do segmento de luxo no País, entre novembro de 2008 e fevereiro deste ano. Os consumidores também foram ouvidos: 549 pessoas falaram sobre seus gostos e preferências. Do total de empresas consultadas, 58% estão no varejo, 29%, nos serviços, e 13%, indústria. As marcas nacionais mais lembradas são H.Stern, com 24%, Daslu, 13%, e Fasano, 10%. Entre as internacionais, estão a Louis Vuitton, com 32%, Chanel, com 5% e Hermés, 4%.