
Hoje, as pessoas têm cartões de crédito, débito, do seguro do carro, da milhagem da empresa aérea, do convênio médico, das lojas e supermercados onde faz as compras. Ou seja, a carteira fica recheada de plásticos, para alegria dos fabricantes. De acordo com o organizador da Cards 2009, um dos maiores eventos do setor, Gilberto Dib, cada brasileiro deverá ter, até o final do ano, pelo menos cinco cartões. As pessoas das classes C e D possuem plásticos do Bolsa Família e do vale-transporte, por exemplo. Já as das classes média e média alta têm na carteira aproximadamente vinte unidades. A estimativa é de que 1,5 bilhão de cartões estarão em circulação até dezembro.
“A crise financeira internacional tanto atrapalhou quanto ajudou os fornecedores dos plásticos. O uso dos cartões de crédito caiu, porque, com a turbulência, a oferta de dinheiro se restringiu. Mas o uso dos produtos para incentivar a fidelização dos clientes, como os de lojas, aumentou”, afirma.
Segundo ele, os fabricantes de cartões movimentaram, no ano passado, aproximadamente R$ 4 bilhões. Para 2009, o setor prevê aumento de até 30%. A participação dos cartões de crédito, que poderia chegar a 20% do total, caiu para 10%, em razão da turbulência.
O mercado está em franco crescimento. A Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviço (Abecs) registrou aumento de 13,5% na emissão dos cartões de crédito, débito e de lojas e redes em 2008. O total de transações teve alta de 20%, chegando a R$ 375,4 bilhões. Em janeiro deste ano, em relação a igual mês de 2008, a variação positiva foi de 14% na emissão de plásticos, com aumento de 21% no número de transações e de 20% no total gasto.
O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, afirma que a inadimplência dos usuários do cartão de crédito aumentou com a turbulência. “Uma em cada três pessoas está com o pagamento em atraso há mais de 90 dias. Os consumidores entraram de cabeça em promoções, e as contas se acumularam”, diz.