Nas últimas semanas um assunto vem ganhando força. Uma pseudo-teoria sobre o “efeito batom”, que diz que produtos para mulheres não sofrem retração com a crise, ao contrário, tem expansão. E nesse grupo estariam cosméticos, perfumes e maquiagem, por exemplo, que, por custarem menos, substituiriam outros que dependem de financiamento. Verdade ou não, existe um segmento ligado ao mundo feminino que de fato não sente os efeitos da crise: o de lingerie. E, na onda da desvalorização do real, algumas empresas brasileiras aproveitam para retomar as exportações, que nos últimos dois anos ficaram estagnadas.
De acordo com a empresária Ana Flôres, organizadora do Salão Lingerie, uma das principais feiras de moda íntima da América do Sul, desde 2007 as exportações do setor vêm registrando quedas. “Em 2006, o setor alcançou um crescimento de 19,2% nas exportações. Desde então, por conta da valorização do real nossos produtos perderam competitividade e muitas empresas foram obrigadas a deixar o mercado externo e se voltar para o interno”, afirma.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), no ano passado, a exportação de lingerie alcançou pouco mais de US$ 23,6 milhões, um crescimento de 5,82% em comparação com 2007. Em volume, o crescimento foi de 9,93%, chegando a 543,7 mil quilos.