Supermercados têm o melhor resultado em dez anos
As vendas do setor supermercadista encerraram 2008 com crescimento real de 8,98%, em comparação com 2007, alcançando faturamento de R$ 150 bilhões. Esse foi o maior crescimento dos últimos dez anos. Em dezembro, a expansão foi de 6,07% em comparação com o mesmo mês de 2007, e de 27,12% se comparada a novembro de 2008. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Para o presidente da entidade, Sussumu Honda, o ano foi muito bom para o setor, principalmente se comparado a outros segmentos da economia, prejudicados no último trimestre pela crise.
2009 pode ser diferente
“Nem no início do plano real tivemos um ano de vendas tão bom quanto 2008. Mesmo assim, dezembro já mostrou uma pequena desaceleração”, afirmou. Queda do desemprego até o terceiro trimestre e aumento real da massa salarial ao longo do ano foram os motivos apontados para o crescimento das vendas. Mas o que foi o motor propulsor do varejo em 2008, poderá se transformar em vilão em 2009: o desemprego preocupa bastante a questão do consumo. “Inseguro com as notícias de crise e com a própria situação futura, o consumidor diminui as compras”, disse Honda. Por conta disso, já é esperada uma desaceleração das vendas em janeiro, embora o mês não sirva como termômetro por conta das férias, quando a mobilidade das pessoas é muito grande.
Expectativas
Embora espere uma desaceleração, a Abras prevê um crescimento de 2,5% para o ano em comparação com 2008. Estabilidade nos preços, por conta da queda da demanda, e expansão da massa salarial em ritmo mais contido do que foi em 2008 são os motivos apontados para a “desaceleração” este ano. “Vale lembrar entretanto, que esse crescimento se dará sobre uma base muito forte, já que em 2008 as vendas cresceram 9% sobre 2007, que já havia crescido 6% sobre o ano anterior”, salientou o presidente da Abras.
Outros caminhos
Por conta da expectativa de crescimento, Honda acredita que não haverá demissões no setor. Ao contrário, já que as empresas mantêm as expectativas de investimentos para 2009, que deverá chegar a R$ 5 bilhões. “Esses investimentos virão em forma de reformas, tecnologia e expansão, pois em termos de competição ainda há muito espaço para crescer, principalmente em cidades do interior do Brasil”, disse Honda. Outra tendência é que poderá haver maior procura de marcas com preços médios e baixos em detrimento das premium, como ocorreu nos últimos dois anos.

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