Associação Comercial e Industrial de Limeira

22 a 28 de janeiro de 2009

Assunto Econômico

Em ambiente mundial de recessão, Brasil pode ser ‘ilha’, avaliam instituições
Se depender das projeções de diversos organismos internacionais, o Brasil pode se converter numa ‘ilha’ em meio a um oceano de recessão das principais economias mundiais. De acordo com os números mais recentes de organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os países do grupo conhecido como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) deverão ter crescimento superior ao dos países ricos – embora menor que o registrado por esses mesmos países nos últimos anos.
O FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 3,5% em 2009. O Banco Mundial projeta 2,9%. O número é inferior às previsões para os demais países do Bric: Rússia, Índia e China devem crescer mais de 5%, de acordo com o FMI, ou mais de 3%, segundo o Banco Mundial. Mesmo assim, a taxa brasileira é bastante superior à dos países desenvolvidos, que devem registrar queda ou crescimento máximo de 0,4%, segundo os mesmos organismos. O governo brasileiro projeta um número ainda maior, de 4%, enquanto a proposta de orçamento deste ano traz a previsão de 3,5% de elevação do PIB, e o Banco Central estima em 3,2% o crescimento da economia.

França pode assumir participação em montadoras
A França pode oferecer assistência financeira para a indústria de veículos do país em troca de participações nas montadoras. O presidente francês Nicolas Sarkozy informou na semana passada, que a França injetaria “muito dinheiro” na indústria de veículos do país, uma das maiores empregadoras da nação europeia. A ministra da Economia, Christine Lagarde, informou ainda que o governo deverá provavelmente anunciar medidas para impulsionar o capital das montadoras e melhorar o financiamento para compra de veículos. O governo deve se reunir com representantes da indústria de veículos durante a semana e detalhar um plano para ajudar o setor diante de uma grande queda nas vendas gerada pela crise econômica e restrição ao crédito.

Preços ganham fôlego em SP
Os preços médios dos automóveis novos e usados voltaram a cair em janeiro na capital paulista. De acordo com Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a redução no valor médio dos novos passou de 2,32% para 3,46% entre a primeira e a segunda prévia do mês. Já o recuo no dos usados passou de 1,09% para 1,5%. Na avaliação dos analistas, os indicadores de inflação vêm captando o declínio nos valores dos automóveis novos desde que o governo federal autorizou, no início de dezembro de 2008, a reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como formas de amenizar os impactos da crise financeira. Quanto ao preço dos usados, a explicação é que a turbulência reduziu a oferta de crédito, aumentando os impactos de baixa para o segmento nos últimos meses. De acordo com o coordenador do IPC, Antonio Evaldo Comune, esta movimentação de preços foi importante para aliviar a inflação na cidade de São Paulo na segunda prévia, quando o indicador da Fipe subiu 0,23% ante 0,18% na primeira medição do mês. Para ele, a queda no valor dos automóveis novos deverá chegar a 4% no final de janeiro.
Já os reajustes nas mensalidades escolares levaram a inflação no varejo em São Paulo a uma leve aceleração entre a primeira e a segunda semana deste mês. O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) até 15 de janeiro subiu 0,23%, acima da taxa de 0,22% apurada na semana anterior.

Copom: Mercado espera redução da Selic
Para os analistas do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual. Se a expectativa se confirmar, a taxa deve cair para 13,25% ao ano. De acordo com a avaliação do mercado, o processo de redução dos juros deve terminar em julho, quando o último corte de 0,5 deverá ocorrer. Até a semana passada, a estimativa era de as reduções se encerrarem em junho.
Já o ex-deputado federal José Dirceu (PT-SP) propôs ao Banco Central (BC) uma redução da taxa básica de juros em 4 pontos percentuais para amenizar os efeitos da crise internacional na economia. O corte deveria começar na reunião desta semana do Copom. Em texto publicado em seu blog, ele afirma que o Brasil precisa “urgentemente” tomar medidas mais drásticas contra a turbulência. “Não tem saída, é preciso reduzir, e muito, os juros, em pelo menos 4 pontos da taxa Selic, e, ainda, o superávit para manter um nível de investimentos públicos para sustentar o crescimento.”

Mais um socorro para os bancos
O governo britânico anunciou um segundo grande programa de socorro aos bancos, concedendo às instituições garantias contra novas perdas, em mais um esforço para amparar o sistema financeiro e revigorar o crédito. O núcleo do novo pacote é a proteção dada pelo Tesouro britânico contra a inadimplência futura nos empréstimos bancários. Os bancos e as sociedades de crédito imobiliário terão de pagar uma taxa para participar do programa. O governo também vai ampliar o prazo para o acesso dos bancos a um sistema de garantia de crédito anunciado em outubro. Esse sistema, que acabaria em 9 de abril, será estendido até o final do ano. Com o novo pacote, o governo do primeiro-ministro Gordon Brown admite publicamente que o primeiro conjunto de medidas, lançado em outubro do ano passado e bastante elogiado em outros países, não foi suficiente para afastar as preocupações sobre as instituições financeiras britânicas.