Associação Comercial e Industrial de Limeira

08 a 14 de janeiro de 2009

Economia

Metas financeiras devem ser as primeiras resoluções para 2009

Arte/ Divulgação

Tão importante quanto pensar em começar a praticar exercícios ou fazer cursos é estabelecer metas financeiras.
“Vou começar a fazer exercícios físicos regularmente, prometo não beber mais refrigerante, vou me alimentar melhor, vou fazer um curso de idiomas ou uma pós-graduação”. Essa lista de intenções para o ano que começa pode ser bastante longa. Quantos de nós não fazem essas promessas logo depois que acabam as festas de Natal e Ano Novo? Se você ainda não incluiu nesse rol metas para sua vida financeira pode ser uma boa hora para pensar nisso.
Especialistas em finanças afirmam que é importante fazer uma lista de metas a serem cumpridas durante para 2009. Veja como montá-la e, principalmente, como conseguir cumprir o que ficou escrito. Quem sabe daqui a um ano você já esteja com o orçamento equilibrado, sem dívidas e com ótimos investimentos.

Impostos
Se você ainda não gastou todo o 13º salário que recebeu nos últimos meses de 2008, é hora de guardar o que sobrou para o pagamento dos tributos de começo de ano, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Ambos começam a vencer neste mês de janeiro.

Orçamento
A segunda promessa, muito importante, que deve ser cumprida durante toda a vida, refere-se ao orçamento doméstico. Dez entre dez especialistas em finanças garantem que, sem saber o montante de dinheiro que entra (receita) e a quantidade que sai (despesa) é impossível ter uma vida financeira saudável. “É fácil gastar mais do que temos sem perceber. Por isso, precisamos fazer como as empresas, ou seja, estimar as receitas mês a mês e planejar todas as despesas. Se algo der errado no meio do caminho, é possível reorganizar os gastos”, orienta o professor de Economia da Universidade de São Paulo Rafael Paschoarelli.
Para fazer seu orçamento, a receita é simples: anote tudo o que gasta – tudo mesmo, desde o cafezinho na padaria e o jogo da loteria até a prestação do carro e o condomínio. Dê preferência para o pagamento com cartão de débito porque você fica com os comprovantes.
Se pagar com dinheiro, anote a despesa e depois coloque tudo em uma planilha de orçamento.

“Capital de giro”
Tente parar de viver de pagamento em pagamento. Você deve prometer a si mesmo que vai tentar gastar o salário de um mês só no outro. Para fazer isso (se já estiver com a vida financeira relativamente arrumada), precisará juntar dinheiro por uns dois ou três meses para viver com a renda do mês anterior. O conceito é o mesmo do capital de giro das empresas: a ideia é ter em caixa o que vai gastar no mês que ainda vai começar. “É difícil fazer isso inicialmente, mas se conseguir, terá uma vida financeira bem tranquila”, diz Paschoarelli.

Menos prestações
Prometa também que vai tentar não fazer novos parcelamentos ou financiamentos. Pesquisas mostram que o descontrole financeiro é o segundo motivo que leva as pessoas a terem os nomes incluídos em cadastros de inadimplentes, atrás apenas de desemprego.
E o descontrole é sempre maior se você não limita o que compra e o número de parcelas. “Só podem fazer compras com prestações sem se preocupar com a possibilidade de perda do emprego ou com a diminuição de renda os funcionários públicos, que têm estabilidade”, afirma o professor de economia.
Não ao consumismo
Outra dica importante: não consuma desenfreadamente. Essa regra deve sempre ser seguida e ganha ainda mais importância em tempos de crise financeira. Antes de comprar alguma coisa, veja se realmente precisa desse item. Se você pode ir trabalhar de metrô, a pé ou de ônibus todo dia, será que realmente precisa de um modelo novo de automóvel? Faça essas perguntas a si mesmo antes de comprar, tentando resistir aos apelos da propaganda (que realmente são muito fortes). Para se controlar, vale a mesma técnica do orçamento: anote tudo que compra. Assim você vai ver quanto dinheiro gasta sem realmente precisar.

Poupança
Guarde dinheiro. Essa também é uma promessa que deve ser cumprida pela vida toda – e é uma das mais difíceis. A consultora e especialista em finanças pessoais Joana de Guercio recomenda que você reserve 10% do salário assim que receber como forma de poupança. Onde vai guardar depende de seu perfil como investidor: pode ser em uma caderneta de poupança tradicional ou um fundo de renda fixa, se for conservador, ou em ações e fundos multimercado, se você tiver o perfil mais arrojado.
Paschoarelli não concorda com o valor forçado de 10% da renda, embora afirme que todos devem guardar parte da receita. “Para quem ganha um salário mínimo, 10% é muito. Quem ganha mais, pode, em alguns casos, poupar 40% do rendimento. O importante é estabelecer um valor e cumprir a meta”, diz. Algumas técnicas podem ajudar. Você pode ordenar ao banco o débito de determinada quantia da sua conta mensalmente no dia do pagamento ou fazer um plano de previdência privada.

Planos e sonhos
Estabeleça a missão de cada real que vai guardar. Sabendo quanto está guardando para cada desejo futuro fica mais fácil acompanhar os resultados. Você pode, por exemplo, fazer cadernetas de poupança separadas para cada finalidade, como comprar um carro novo no fim de 2009, viajar nas férias, fazer uma pós-graduação ou pagar a faculdade do filho.
E, claro, pode e deve aplicar de formas diferentes. Se for para longo prazo, invista no mercado de renda variável ou faça um plano de previdência privada. Se for para curto prazo, pode ser um fundo de renda fixa. “A aplicação depende do tamanho do projeto, do prazo e da renda disponível. Eu, por exemplo, guardo R$ 170 por mês para viajar na próxima Copa do Mundo, em 2010, desde a última Copa, em 2006. Vou acompanhando o crescimento do dinheiro e vejo que será possível fazer o que desejo”, afirma Joana.

Reserva
Faça um fundo de reserva. De fato é mais fácil guardar dinheiro para realizar sonhos, mas você precisa lembrar que imprevistos acontecem – problemas com o carro, de saúde ou desemprego inesperado, por exemplo. Nesse caso, se não tiver um fundo, vai acabar com o dinheiro dos sonhos e isso é péssimo para auto-estima.
Não desista. Depois de fazer tantas promessas é normal escorregar e cometer deslizes, como comprar o que não devia. Mas não mude todos os planos por isso. Siga em frente. Joana ensina uma técnica em suas palestras que vale a pena tentar, o “mapa da mente”. Consiste em projetar as coisas que deseja para um certo prazo. “Escreva em letras enormes, faça um esquema de tudo que quer e coloque o papel em um local que veja sempre. Assim toma consciência do projeto do ano todo”, afirma a consultora.