Na Daslu, as compras podem ser financiadas no crédito rotativo. Os templos do consumo de luxo de São Paulo apostam no relacionamento pessoal com os clientes e nas vendas em até 12 vezes no cartão para atrair uma clientela que praticamente desapareceu com a crise internacional do crédito. Associada ao Banco Safra, a Daslu lançou, no final de outubro, um sistema de financiamento que lança mão do “crédito rotativo”. Utilizado há décadas por lojas populares como C&A, o sistema permite que o cliente pague o que quiser do valor da fatura. O que sobra é contabilizado como empréstimo e volta na próxima cobrança com juros de cartão de crédito.
De acordo com Cris Duarte, diretora de projetos da Consultoria MCF, o parcelamento dos artigos de luxo no Brasil também oferece acesso para a classe média a esses bens. “Assim, temos dentro do mercado de luxo não apenas um consumidor classe AA que sempre irá circular por ele, mas também o público de outras faixas de renda”, disse a consultora.
Apostando nesse novo público, o shopping Cidade Jardim mantém o cronograma de abertura de novas lojas. No último dia 12, foi a vez da grife francesa Chanel. Para maio de 2009, a promessa é a Hermès. Ainda no segundo semestre do ano que vem, o shopping vai inaugurar um novo piso com mais 60 lojas.
Para atrair o público, as empresas buscam inovações voltadas para os clientes AA. Marcas como Black Label, BB Estilo, Mastercard Black e Diesel já planejam reestruturações para retomar as vendas. “No segmento de luxo vale muito mais o relacionamento e a conversa direta com o cliente do que as promoções. Os consumidores do luxo não devem mudar os hábitos para as compras deste final de ano. “Os dois primeiros meses do ano que vem, porém, devem ser muito bem planejados pelo mercado de luxo para tentar manter as vendas”, completou Cris.
MÍNIMO
O mercado de luxo brasileiro tem hoje entre 500 mil e 800 mil consumidores com renda familiar mínima de R$ 22 mil. O segmento movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano. Em 2007, cresceu 17%. O consumo do País representa 1% do faturamento do setor no mundo. O Estado de São Paulo concentra 70% do mercado. Os produtos mais vendidos são: moda com 32% de participação, alimentos e bebidas com 18%, saúde e cosméticos (14%) e jóias e relógios com (14%).