Associação Comercial e Industrial de Limeira
18 a 24 de dezembro de 2008

Vitrine

Ceia de Natal bem brasileira
Apesar do calor que faz em dezembro, é a herança européia que dá o tom do Natal por aqui. Os presentes são entregues por um Papai Noel de luvas e gorro. E sobre a mesa, castanhas, nozes e damascos dão o tom da ceia.

Alta do Dólar
“Cerca de 40% da nossa ceia de Natal é de importados”, diz Jorge da Conceição Lopes, que há 58 anos comanda a Casa Santa Luzia, em São Paulo. “Bebidas, castanhas, frutas secas, azeites, tudo isso vem de fora”, aponta.
Por conta disso, a disparada do dólar – que desde agosto subiu mais de 40% frente ao real – ameaça azedar a ceia de Natal. Produtos tradicionais como as nozes estão até 35% mais caros do que no mesmo período do ano passado. Frutas secas, bacalhau e até azeite estão pesando mais no bolso.

Frutas
As frutas tradicionais estão entre 15% e 20% mais caras em relação ao ano passado. O quilo da avelã, que no Natal de 2007 saía a R$ 14, hoje está em R$ 18. O damasco turco sai a R$ 24 o quilo, ante R$ 18 no ano passado. Já o preço da noz subiu um pouco menos, de R$ 18 para R$ 20. A castanha portuguesa passou de R$ 15 para R$ 20.

É Nossa
Mas se o que vem de fora subiu, o produto nacional traz a boa notícia: a maioria das frutas nacionais está com o mesmo preço do ano passado. Muitas estão, inclusive, mais baratas, como a nectarina (-14%), a uva rubi (-12%) e o abacaxi (-18%).
Para quem não quer deixar de lado a tradição das frutas secas, também é possível trocar as importadas do Chile, Turquia e Itália pelas tropicais.

Vinho, espumante e azeite
Menos perecíveis, as bebidas chegaram às prateleiras com menos influência da alta do dólar. Isso porque muitos comerciantes fizeram seus estoques mais cedo, aproveitando o câmbio barato.
No caso dos espumantes, o prosecco já vem tomando o lugar do champanhe. Já para os vinhos, há boas opções em conta em produtos chilenos.
Já os azeites dão menos “margem de manobra” para o comprador, segundo o proprietário do Empório Chiappetta. “O bom azeite tem que ser importado”, diz ele. Mas mesmo com a alta média de 15% nos preços, o consumidor pode encontrar produtos argentinos e portugueses com preços similares aos do ano passado.

Bacalhau
Também típico na mesa natalina, o bacalhau em lascas ou tiras tem chegado às prateleiras de alguns varejistas entre 15% e 20% mais caro este ano, por cerca de R$ 30 o quilo. As peças nobres se mantiveram na mesma faixa – cerca de R$ 120.
Para economizar, o jeito é ter um pouco mais de trabalho: receitas com mais acompanhamentos fazem render mais.

Peru e panetone
Apesar de nacionais, as aves como peru e chester também tiveram alta. A culpa, neste caso, foi da alta da inflação no meio do ano, diz o vice-presidente da Apas.
A alta de preços também não poupou os panetones. Os nacionais, devido à alta do trigo, estão cerca de 10% mais caros. Mas o preço ainda é muito inferior ao das marcas importadas, chegando a custar menos da metade.

Antes e depois da ceia
Para quem já sabe o que vai comer na noite do dia 24, a dica é comprar os ingredientes da ceia o quanto antes.
“Os preços são melhores até o dia 19, porque no dia 20 as pessoas recebem a segunda parcela do 13º e o varejo fica aguardando esse consumidor ir ao mercado. Comprando agora, ele vai pagar mais barato”, diz Martinho Moreira.
Mas o economista Godas, da Ceagesp, alerta: “tem que tomar cuidado, se for comprar agora, com os produtos perecíveis, para não ter problema depois”.