Associação Comercial e Industrial de Limeira

27/nov a 03 de dez de 2008

Assunto Econômico

Clientes de bancos em fusão devem reler contratos
A Pro Teste, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, afirmou que o movimento de fusões e aquisições no sistema bancário é benéfico para as empresas, mas não para o consumidor. “É preocupante, pois o número de bancos está diminuindo e, por conseqüência, a concorrência”, diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste. “E a diminuição da concorrência nunca se reflete em redução de tarifas.” Maria Inês aconselha, em primeiro lugar, que os 103 mil clientes da Nossa Caixa e do Banco do Brasil releiam quaisquer contratos que tenham com esses bancos e acompanhem, por meio de extratos e faturas, a movimentação financeira.
“Pela lei, os bancos só podem aumentar tarifas uma vez por semestre e isso já ocorreu. Portanto, qualquer novo aumento tem de ser comunicado com pelo menos 180 dias de antecedência.” O Código de Defesa do Consumidor proíbe a alteração unilateral de contratos. Segundo ela, em comparação com pesquisas de outras entidades de defesa do consumidor internacionais, as tarifas cobradas no Brasil estão entre as maiores do mundo. “Muitos brasileiros não têm contas bancárias porque o preço para mantê-las é muito alto. Concentrar a atividade financeira na mão de poucos grupos apenas dificulta a bancarização da população.”
Contratos de financiamento, empréstimo, abertura de contas ou outros serviços já contratados não podem ser alterados. Em caso de dúvidas, o correntista deve buscar as ouvidorias dos bancos.

BB não vai demitir funcionários da Nossa Caixa, diz sindicalista
O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, se reuniu com o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, em Brasília, e obteve o compromisso de que os funcionários da Nossa Caixa, cuja aquisição foi confirmada no dia 20 pelo BB, não serão demitidos. Segundo ele, a Nossa Caixa tem cerca de 15 mil funcionários. O Banco do Brasil não se pronunciou sobre o encontro.
“Não haverá demissões e os direitos dos funcionários serão mantidos. Além disso, também há o compromisso de manter, pelo menos, o mesmo número de agências que existem hoje. Se uma for fechada, por conta da proximidade com uma do BB, outra será aberta no mesmo município. Mas o presidente do BB disse que pretende ampliar a rede de agências”, afirmou Marcolino. Atualmente, a Nossa Caixa tem 559 agências em funcionamento.
O presidente do Sindicato dos Bancários de SP disse ainda que foi instituída uma mesa permanente de negociação com o Banco do Brasil. Ele lembrou que a incorporação da Nossa Caixa deverá demorar de 12 a 18 meses. Neste período, serão discutidos o plano de carreira dos servidores da Nossa Caixa, que estão sendo absorvidos, além do fundo de pensão e dos planos de assistência médica, entre outros assuntos. Segundo ele, a primeira reunião com o presidente do Banco do Brasil, após o anúncio da aquisição, foi “tranquila”.

Dívida de brasileiro já é de 10 salários
Em quatro anos, o endividamento do brasileiro cresceu quase 70% na relação com o número de salários recebidos. Entre cheque especial, cartão de crédito, financiamento de veículos, crédito pessoal e empréstimos imobiliários com recursos livres, o consumidor devia dez meses de salário em setembro. Em 2004, a dívida correspondia a 5,9 meses de salário. Os cálculos são do consultor para o sistema financeiro e economista pela Universidade de Brasília Humberto Veiga. Para chegar a esses números, ele considerou a evolução da massa de salários com base nos dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em seis regiões metropolitanas e o montante de crédito concedido ao consumidor. Segundo o economista, esse descompasso entre o crescimento da dívida e da renda dos trabalhadores faz crescer o risco de inadimplência, especialmente agora que o cenário de desaceleração da economia começa a ganhar contornos mais nítidos e poderá ter impactos no nível de emprego.

Lula diz que mundo se curvará ao biocombustível
É necessário apostar numa nova matriz energética e o mundo se curvará ao biocombustível, afirmou hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Sabemos que o mundo precisa produzir mais biocombustível, que é preciso diminuir a emissão de gases de efeito estufa e que, para isso, não podemos usar a mesma quantidade de petróleo que estamos utilizando”, explicou, durante o programa semanal de rádio “Café com o Presidente”. Na semana passada o presidente participou da 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo, com a presença de quase cem delegações estrangeiras. Lula lembrou que em dezembro o Brasil comemora a produção de 7 milhões de carros flex, veículos capazes de funcionar tanto com álcool quanto com gasolina. Ele listou as vantagens do biocombustível, destacando o fato de ser menos poluente. “E já estamos trabalhando na produção de etanol de segunda geração, o que é mais importante, porque vamos produzir etanol de cavaco de madeira e de bagaço de cana.” O presidente voltou a desvincular a alta nos preços dos alimentos da produção de biocombustíveis, explicando que o aumento dos alimentos está ligado à especulação no mercado futuro. “Eu acho que as pessoas se convenceram de que o Brasil tem terra e o mundo tem terra, tem água, tem sol para produzir biocombustível e para produzir alimento para sustentar o mundo.”