Associação Comercial e Industrial de Limeira

06 a 12 de novembro de 2008

Assunto Econômico

BC não tem meta para câmbio
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, reiterou que a autoridade monetária não trabalha com nenhum tipo de meta para o câmbio. “A cotação é flutuante. Temos meta para inflação e outros indicadores”, afirmou, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado.
Segundo ele, a volatilidade no câmbio foi causada pelas posições de empresas exportadoras no mercado de derivativos e pela repatriação de recursos de empresas estrangeiras que precisavam cobrir o caixa de suas matrizes. O presidente do BC disse que um dos trabalhos mais difíceis na análise econômica é justamente fazer projeções sobre o câmbio.

BB não poderá mais comprar Nossa Caixa sem licitação
O governo aceita fazer algumas mudanças na Medida Provisória nº 443, que autorizou o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal a comprar bancos e outras empresas, segundo informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além de estabelecer um prazo para a validade da MP, proposto inicialmente pelo líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), Mantega acatou a sugestão feita pelo presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), de retirar do texto a autorização para que o BB e a Caixa possam comprar outros bancos públicos sem licitação. Essa medida, se fosse mantida, facilitaria a venda da Nossa Caixa para o BB. “Isso pode ser corrigido”, disse Mantega.
Outra mudança aceita por Mantega diz respeito à autorização de compra de ações de empresas pela CaixaPar (o banco de investimento da Caixa criado pela MP 443). O ministro da Fazenda explicou que a redação desse artigo não ficou adequada, pois a intenção do governo era de restringir as ações de empresas da área de construção civil. “Do jeito que ficou deu a entender que podia comprar ações de qualquer empresa.” Ele pediu desculpas porque, segundo ele, às vezes os ministros não têm tempo de ler mais detidamente o texto das MPs por causa da pressa.
E a compra dos papéis será em pequena quantidade. “Não será a compra do controle acionário”, disse. “A intenção é que a Caixa contribua para dar capital de giro para as empresas da construção civil, de tal forma que elas mantenham os empreendimentos em execução. Se para isso bastar comprar apenas debêntures dessas empresas, não há problema. Pode ser”, afirmou.

Aplicação será mais rentável
Mesmo que o Fundo Soberano seja criado neste momento, o governo terá de esperar que o real se valorize mais em relação ao dólar para abastecer essa reserva, segundo o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri. “Antes, a idéia era comprar dólares para abastecer o fundo e fazer investimentos no exterior”, afirmou. “Mas com a crise financeira e a valorização da moeda norte-americana, o governo deve fazer caixa enquanto espera que o câmbio se equilibre novamente. E o superávit primário vai aumentar em 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a acumulação desse caixa.” O aumento do superávit primário deve diminuir a demanda na economia, o que dá margem para flexibilização da política de juros do Banco Central, de acordo com o especialista.

Vulnerabilidade da economia local está reduzida
Com US$ 203 bilhões guardados, o Brasil mantém hoje a oitava maior reserva internacional do mundo, o que reduz a vulnerabilidade da economia local em situações de crise financeira. Mas a baixa rentabilidade dos recursos pode fazer com que eles percam seu valor real: a maior parte está aplicada em títulos do governo americano, considerado o investimento mais seguro do planeta, mas também um dos menos rentáveis. Com um Fundo Soberano, o objetivo do governo brasileiro é buscar investimentos mais rentáveis, como a participação em empresas estrangeiras. “A operação de câmbio com o BC dos Estados Unidos, de US$ 30 bilhões, vai aumentar em 15% as reservas do País, o que deixa o Brasil ainda mais preparado para tempestades econômicas”, disse Alfieri.

Apex abre escritório em Cuba
Dirigentes da Petrobras e da empresa Cuba Petróleo assinaram, em Havana, um contrato de exploração e produção de petróleo no mar cubano, em região próxima a Varadero, onde a estatal brasileira investirá US$ 8 milhões. O contrato da Petrobras com a Cuba Petróleo terá duração de 32 anos - sete de exploração e 25 de produção - e valerá para uma área de 1.600 quilômetros quadrados, situada entre seis quilômetros e 12 quilômetros distante do litoral. As pesquisas mostraram que o óleo está a uma profundidade de 500 metros a 1.600 metros. A exploração será feita em zona próxima das únicas reservas cubanas conhecidas em terra. No passado, a Petrobras já investiu em Cuba, em parceria com uma empresa canadense, em outra área, mas não encontrou petróleo.