| O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu no início da semana do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, a informação de que há uma grande retração na atividade econômica no mundo, o que pode levar a uma recessão global. Os integrantes da equipe econômica também disseram que o Brasil tem condições de resistir à crise e de oferecer crédito, a preço de mercado, para as companhias que tiveram prejuízo em operações com derivativos. “As empresas que ousaram no mercado futuro têm que pagar o preço de sua ousadia. Não será o governo que vai cobrir isso”, afirmou o ministro da Fazenda.
Na reunião, ficou decidido que o governo vai correr para destinar crédito aos setores de construção civil, agrícola e de veículos, além de dar garantias de capital de giro de modo geral e para pequenas e médias empresas. Mantega e Meirelles disseram a Lula que até agora o governo já transferiu R$ 50 bilhões para financiamentos, obtidos principalmente com a redução do depósito compulsório que os bancos fazem no BC.
Na avaliação dele, a Inglaterra já deu um primeiro sinal de recessão, por ter registrado crescimento negativo. “Isso poderá ocorrer também em outros países europeus”, observou. O ministro disse ainda ao presidente Lula que existem problemas com os fundos de hedge, que trabalham com alavancagem, têm capital de um e emprestam dez, 15 vezes o que têm. Por isso, estão retirando seus investimentos feitos ao redor do mundo, causando um desmonte de posições em ativos de países como o Brasil, México, África do Sul e Austrália. Esse movimento tem levado à valorização do dólar e do iene.
O impacto da crise no Brasil não mudou, disseram Mantega e Meirelles a Lula. “Há escassez de crédito para operações de comércio exterior, mas o Banco Central já está ativando uma linha de leilões para troca. Os bancos brasileiros têm títulos do Tesouro, e vão trocá-los por dólares nesses leilões. Com isso, passam a ter recursos para financiar as linhas de exportação. Isso já está começando a irrigar o sistema”, afirmou o ministro da Fazenda.
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