Associação Comercial e Industrial de Limeira
02 a 08 de outubro de 2008

Editorial

Crédito fácil um dia acaba

No dia 15 de Setembro, Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pediu concordata após incorrer em perdas bilionárias em decorrência da crise financeira global. Temores de que a carteira de ativos do banco, em grande parte ancorada em valores hipotecários, valia muito menos do que o originalmente estimado minaram a confiança na instituição de 158 anos. Do ano passado para cá, Lehman Brothers viu suas ações despencarem mais de 95%. Assim, pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas, e este dia ficará marcado na historia do capitalismo.
Para entender um pouco mais sobre este assunto, um artigo enviado por e-mail, explica como a crise deu início.
“Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300 mil dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou à Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800 mil dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou o montante.
Com o valor, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou três casas em construção de menor valor e com restante investiu em carros, equipamentos e cartões de crédito. Tudo financiado, tudo a crédito.
Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham liquidez. O negócio foi refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro.
Fácil? A farra do crédito fácil um dia acaba, e acabou.
Parecia fácil, só que todo mundo teve a mesma idéia.
Aí as taxas começaram a subir e Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre, milhões de pessoas com a mesma idéia e haviam casas para vender como nunca. Paul tentava segurar as prestações da sua casa refinanciada, mais as outras que comprou, as prestações dos carros, dos equipamentos e do cartão de crédito. Começaram os problemas e os bancos ficaram sem receber os milhões que os especuladores iguais a Paul, não conseguiam mais pagar.
Optando pela sobrevivência da família, muitos tentaram renegociar com os bancos, mas sem sucesso, assim perdendo tudo que tinham investido.
Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Pauls, esses títulos começaram a valer pó. Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.
Os imóveis eram as garantias dos empréstimos mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel, preço que despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500 mil dólares e de repente passou a valer 300 mil dólares e mesmo por este valor não haviam compradores.
Com a inadimplência, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber, os inadimplentes pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado.
O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo”. Mesmo quem pode, pára de consumir. Assim, o que começou com Paul, hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.

Flávia Di Ferdinando