| No dia 15 de Setembro, Lehman Brothers, quarto
maior banco de investimentos dos Estados Unidos, pediu concordata
após incorrer em perdas bilionárias em decorrência
da crise financeira global. Temores de que a carteira de ativos
do banco, em grande parte ancorada em valores hipotecários,
valia muito menos do que o originalmente estimado minaram a confiança
na instituição de 158 anos. Do ano passado para cá,
Lehman Brothers viu suas ações despencarem mais de
95%. Assim, pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas,
e este dia ficará marcado na historia do capitalismo.
Para entender um pouco mais sobre este assunto, um artigo enviado
por e-mail, explica como a crise deu início.
“Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90,
por 300 mil dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento
do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí,
um banco perguntou à Paul se ele não queria uma grana
emprestada, algo como 800 mil dólares, dando seu apartamento
como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca
e pegou o montante.
Com o valor, vendo que imóveis não paravam de valorizar,
comprou três casas em construção de menor valor
e com restante investiu em carros, equipamentos e cartões
de crédito. Tudo financiado, tudo a crédito.
Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços
dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado
entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente
de preço e não tinham liquidez. O negócio foi
refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar
outras casas e revender com lucro.
Fácil? A farra do crédito fácil um dia acaba,
e acabou.
Parecia fácil, só que todo mundo teve a mesma idéia.
Aí as taxas começaram a subir e Paul percebeu que
seu investimento em imóveis se transformara num desastre,
milhões de pessoas com a mesma idéia e haviam casas
para vender como nunca. Paul tentava segurar as prestações
da sua casa refinanciada, mais as outras que comprou, as prestações
dos carros, dos equipamentos e do cartão de crédito.
Começaram os problemas e os bancos ficaram sem receber os
milhões que os especuladores iguais a Paul, não conseguiam
mais pagar.
Optando pela sobrevivência da família, muitos tentaram
renegociar com os bancos, mas sem sucesso, assim perdendo tudo que
tinham investido.
Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face.
Com a inadimplência dos Pauls, esses títulos começaram
a valer pó. Bilhões e bilhões em títulos
passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados
por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também
em bancos europeus e asiáticos.
Os imóveis eram as garantias dos empréstimos mas esses
empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado
desse imóvel, preço que despencou. Um empréstimo
foi feito baseado num imóvel avaliado em 500 mil dólares
e de repente passou a valer 300 mil dólares e mesmo por este
valor não haviam compradores.
Com a inadimplência, os bancos pararam de emprestar por medo
de não receber, os inadimplentes pararam de consumir porque
não tinham crédito. Mesmo quem não devia não
conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito
não queria dinheiro emprestado.
O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão
é sentimento, é medo”. Mesmo quem pode, pára
de consumir. Assim, o que começou com Paul, hoje afeta o
mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só
o tempo dirá.
Flávia Di Ferdinando
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