Associação Comercial e Industrial de Limeira

18 a 24 de setembro de 2008

SICOOB

Artigo por Davi Zaia, deputado estadual (SP) - (Fonte: Alesp Notícias)

Surgido no século XIX por iniciativa dos trabalhadores para se contrapor a exploração da mão-de-obra durante a Revolução Industrial, o cooperativismo se desenvolveu de forma extraordinária em todo o mundo. O que difere o cooperativismo de outras formas de empreendimento é o trabalho associativo, no qual produtores de diferentes atividades econômicas se unem em torno de seus interesses de produção. Hoje temos mais de 800 milhões pessoas organizadas em cooperativas, que, por sua vez, geram 100 milhões de empregos em todo o mundo.
Seu dinamismo é representado por números superlativos. No Canadá, uma entre cada três pessoas faz parte de cooperativas. Nos Estados Unidos, mais de 150 milhões de pessoas (60% da população) estão organizadas dessa forma. Na Colômbia e Costa Rica são 10%. Na Alemanha, 80% dos agricultores e 75% dos comerciantes são cooperativados. Na Bélgica, as cooperativas farmacêuticas detêm uma participação de 19,2% do mercado. Tomemos por exemplo a produção de alimentos, uma das maiores preocupações atuais da humanidade. No Brasil, as cooperativas produzem 72% do trigo, 43% da soja, 39% do leite, 38% do algodão, 21% do café. Na Coréia do Sul, elas reúnem 90% dos produtores rurais ou cerca de 2 milhões de pessoas, com um faturamento superior a U$ 11 bilhões. São dados que atestam a importância do cooperativismo no setor agropecuário.
Como bancário, interesso-me particularmente pelo trabalho das cooperativas de crédito, responsáveis pela oferta de financiamento em condições especiais a milhares de pessoas. Nos países em desenvolvimento, elas são instrumentos de democratização do crédito, incentivam e financiam as pequenas e médias empresas.
A origem das cooperativas de crédito data de 1902. Hoje, somam a mais de 7.300 e reúnem 5,7 milhões de associados. Na Europa, os bancos cooperativos empregam 700 mil pessoas. A força do sistema é diretamente proporcional à capacidade que a sociedade civil tem de se organizar. Quanto maior o poder de organização, mais significativo é o peso do cooperativismo. O inspirador do cooperativismo foi o reformador social galês Robert Owen (1771/1858). De família modesta de artesãos, ele acabou se tornando co-proprietário de indústrias escocesas. Nelas, reduziu a jornada de trabalho para 10,5 horas diárias (numa época em os trabalhadores passavam até 16 horas de seu dia trabalhando), construiu moradia para os operários e escolas para os seus filhos. Também foi Owen quem criou a primeira cooperativa.

Segue na próxima edição.