Surgido no século XIX por iniciativa dos trabalhadores
para se contrapor a exploração da mão-de-obra
durante a Revolução Industrial, o cooperativismo
se desenvolveu de forma extraordinária em todo o mundo.
O que difere o cooperativismo de outras formas de empreendimento
é o trabalho associativo, no qual produtores de diferentes
atividades econômicas se unem em torno de seus interesses
de produção. Hoje temos mais de 800 milhões
pessoas organizadas em cooperativas, que, por sua vez, geram 100
milhões de empregos em todo o mundo.
Seu dinamismo é representado por números superlativos.
No Canadá, uma entre cada três pessoas faz parte
de cooperativas. Nos Estados Unidos, mais de 150 milhões
de pessoas (60% da população) estão organizadas
dessa forma. Na Colômbia e Costa Rica são 10%. Na
Alemanha, 80% dos agricultores e 75% dos comerciantes são
cooperativados. Na Bélgica, as cooperativas farmacêuticas
detêm uma participação de 19,2% do mercado.
Tomemos por exemplo a produção de alimentos, uma
das maiores preocupações atuais da humanidade. No
Brasil, as cooperativas produzem 72% do trigo, 43% da soja, 39%
do leite, 38% do algodão, 21% do café. Na Coréia
do Sul, elas reúnem 90% dos produtores rurais ou cerca
de 2 milhões de pessoas, com um faturamento superior a
U$ 11 bilhões. São dados que atestam a importância
do cooperativismo no setor agropecuário.
Como bancário, interesso-me particularmente pelo trabalho
das cooperativas de crédito, responsáveis pela oferta
de financiamento em condições especiais a milhares
de pessoas. Nos países em desenvolvimento, elas são
instrumentos de democratização do crédito,
incentivam e financiam as pequenas e médias empresas.
A origem das cooperativas de crédito data de 1902. Hoje,
somam a mais de 7.300 e reúnem 5,7 milhões de associados.
Na Europa, os bancos cooperativos empregam 700 mil pessoas. A
força do sistema é diretamente proporcional à
capacidade que a sociedade civil tem de se organizar. Quanto maior
o poder de organização, mais significativo é
o peso do cooperativismo. O inspirador do cooperativismo foi o
reformador social galês Robert Owen (1771/1858). De família
modesta de artesãos, ele acabou se tornando co-proprietário
de indústrias escocesas. Nelas, reduziu a jornada de trabalho
para 10,5 horas diárias (numa época em os trabalhadores
passavam até 16 horas de seu dia trabalhando), construiu
moradia para os operários e escolas para os seus filhos.
Também foi Owen quem criou a primeira cooperativa.
Segue na próxima edição.