O Conselho de Câmaras Internacionais
de Comércio da Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) foi palco, no dia 7, de uma reunião-almoço
com o economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisa e Estudos
Macroeconômicos do Bradesco. Ele apresentou o cenário
atual e futuro da economia brasileira, tendo como ponto de partida
uma pesquisa realizada com 1,6 mil empresários brasileiros
e estrangeiros que atuam no País. Segundo ele, os últimos
três anos propiciaram uma mudança drástica na
forma como o empresário enxerga o Brasil e o próprio
negócio, agora de forma muito mais positiva, o que lhe permite
planejamento de longo prazo.
Barros falou desse novo cenário que se descortina e garantiu:
a política austera do Banco Central para conter a inflação
é acertada e, tão logo volte para o centro da meta
(4,5% em 2009), a autoridade monetária deverá retomar
a queda da Selic, a taxa básica de juros. Tanto que a previsão
do economista é que a Selic encerre 2009 em 13,75%, um ponto
percentual abaixo do patamar que deverá fechar neste ano
(14,75%). “O empresário sabe que esse ciclo de aperto
monetário é fundamental para trazer a inflação
para o centro da meta. E, por isso, não deve deixar de investir”,
disse.
Ele ressaltou que nos últimos três anos, a cabeça
do empresário brasileiro e do estrangeiro que opera no Brasil
mudou. “Ele tem uma nova leitura do País”, disse
Barros, comentando ainda que o Brasil cresceu regional e mundialmente,
e um conjunto de elementos acabou gerando uma análise muito
generosa a respeito do País, a despeito dos incômodos
e das limitações cotidianas que o empresário
é obrigado a viver.
Segundo Barros, o “Brasil não é mais o País
do futuro, já é um do presente. E isso porque ele
soube tirar proveito de uma importante mudança que houve
na economia global, que foi o aumento de preço das commodities.
O País ganhou na Mega-Sena acumulada. Vários outros
países também ganharam, mas o Brasil usou bem esse
dinheiro: para quitar a dívida externa, para adquirir o grau
de investimento, para expandir o crédito doméstico,
para melhorar os programas sociais. O Brasil tem ainda outras loterias
a ganhar, como é o caso do pré-sal (descoberta de
petróleo pela Petrobras)”.
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