Associação Comercial e Industrial de Limeira

14 a 20 de agosto de 2008

Economia

Empresário muda visão sobre o País

O Conselho de Câmaras Internacionais de Comércio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi palco, no dia 7, de uma reunião-almoço com o economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisa e Estudos Macroeconômicos do Bradesco. Ele apresentou o cenário atual e futuro da economia brasileira, tendo como ponto de partida uma pesquisa realizada com 1,6 mil empresários brasileiros e estrangeiros que atuam no País. Segundo ele, os últimos três anos propiciaram uma mudança drástica na forma como o empresário enxerga o Brasil e o próprio negócio, agora de forma muito mais positiva, o que lhe permite planejamento de longo prazo.
Barros falou desse novo cenário que se descortina e garantiu: a política austera do Banco Central para conter a inflação é acertada e, tão logo volte para o centro da meta (4,5% em 2009), a autoridade monetária deverá retomar a queda da Selic, a taxa básica de juros. Tanto que a previsão do economista é que a Selic encerre 2009 em 13,75%, um ponto percentual abaixo do patamar que deverá fechar neste ano (14,75%). “O empresário sabe que esse ciclo de aperto monetário é fundamental para trazer a inflação para o centro da meta. E, por isso, não deve deixar de investir”, disse.
Ele ressaltou que nos últimos três anos, a cabeça do empresário brasileiro e do estrangeiro que opera no Brasil mudou. “Ele tem uma nova leitura do País”, disse Barros, comentando ainda que o Brasil cresceu regional e mundialmente, e um conjunto de elementos acabou gerando uma análise muito generosa a respeito do País, a despeito dos incômodos e das limitações cotidianas que o empresário é obrigado a viver.
Segundo Barros, o “Brasil não é mais o País do futuro, já é um do presente. E isso porque ele soube tirar proveito de uma importante mudança que houve na economia global, que foi o aumento de preço das commodities. O País ganhou na Mega-Sena acumulada. Vários outros países também ganharam, mas o Brasil usou bem esse dinheiro: para quitar a dívida externa, para adquirir o grau de investimento, para expandir o crédito doméstico, para melhorar os programas sociais. O Brasil tem ainda outras loterias a ganhar, como é o caso do pré-sal (descoberta de petróleo pela Petrobras)”.