Associação Comercial e Industrial de Limeira
17 a 23 de julho de 2008

Orientações Jurídicas

Como resolver a questão da violência e da criminalidade

Fala-se muito, sobre o atual estágio da violência social e da criminalidade. Propaga-se que a construção de presídios, a educação, o aumento da oportunidade de empregos, a criação de normas penais rigorosas, o desenvolvimento de recursos para a segurança, e de tantos outros paliativos, poderão diminuir os delitos e os delinqüentes. É possível que, através da intimidação, haja uma boa parte de seres humanos que deixem, materialmente, a prática do crime. Mas, seria melhor se, em vez de fazer valer “a força do medo e o medo da força”, viesse a ser empregada uma forma de evitar que alguém assumisse o papel de transgressor.
Trata-se, evidentemente de uma questão difícil. A qual já foi devidamente estudada, mas, as soluções que se encontrou, transcendem aos meios materiais e exigiriam uma reformulação de conceitos que forçaria a modificação ideológica de muitas de nossas atuais instituições. Por esse motivo, deixaram de ser consideradas como sérias. É o caso, por exemplo, da afirmativa do educador austro-húngaro, Rudolf Steiner (1861-1925) - “A criminalidade é proporcional à falta de arte” – que chegou a ser avaliada, apenas, como “uma bonita frase”.
Também o médico, sociólogo, psiquiatra e criminólogo ítalo-argentino, José Ingenieros (1877 -1925) em seus importantes trabalhos no campo da psiquiatria e da criminologia, concluiu que a síndrome psicológica do temperamento criminal seria uma degeneração, que pode ser adquirida como conseqüência do sistema social. Em seu pequeno livro “A Vaidade Criminal & A Piedade Homicida”, explica com clareza que o espírito de imitação, muitas vezes, motivou, por vaidade ou sentimento similar, a ocorrência de delitos de grande repercussão. O crime, então, poderia ser efeito de uma necessidade incontrolável dos transgressores se exibirem para a sociedade. Em todos os níveis sociais, visaria a busca de “status” e de valores acima daqueles em que se vive. Já alertara o poeta alemão Friedrich Hölderlin (1770 – 1843): “O mito é o mais inocente e o mais perigoso de todos os bens”.
Pois, antes, já houvera afirmado Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), que a palavra “imitar” estaria ligada a “mito”. Através da imitação, a criança obtém desenvolvimento, aprendendo a falar e a agir. O homem primitivo, tal como a criança, ao imitar, venceu o estágio de ignorância. Seus modelos advieram de um acervo de mitologias, religiões e rituais, que embora até recentemente menosprezados, foram anteriormente úteis como tentativas de explicação do psiquismo e do próprio mundo para o homem. E agora, modernamente re-estudada, nessa “dimensão do mito” pode estar a solução para a criminalidade. Sem desprezarmos o fato de que, ainda hoje, sem que apercebamos, cremos em muitos e poderosos mitos, tais como, o dinheiro, a propriedade, o mercado, a democracia, a liberdade, a igualdade, o bem e o mal e até a própria civilização. Como dizia Goethe (1749-1832), os “mitos são as relações permanentes da vida”. Apesar de “permanentes”, como “relações”, possuem uma dinâmica que se modifica com o tempo. Porque, como “permanência”, no psiquismo humano pré-existe a necessidade de cada qual buscar, no poético domínio do mito, a sua “bem-aventurança” ou a realização de sua “lenda pessoal”. Mas, talvez, justamente nesse aspecto, na paradoxal via do envolvimento artístico-cultural, deva advir a razão da verdadeira recuperação dos transgressores. Porque, obviamente, a violência aumenta na medida em que o ser humano, em suas relações, “perde a poesia”.

Do Instituto Jurídico
ACIL