Depois de um intervalo de 30 anos, o mercado publicitário
iniciou esta semana o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade,
em São Paulo. No último, em 1978, o principal resultado
foi a criação do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação,
o Conar. Em 30 anos, ele julgou 6,5 mil processos, retirou campanhas
do ar em nome da ética e as consideradas enganosas. Foi
o caso da que anunciava que “um danoninho vale por um bifinho”.
O tema, agora, é o futuro e, como a liberdade de expressão
da publicidade está sendo bombardeada por projetos do Congresso
Nacional. Quem abriu a sessão solene, no World Trade Center,
em São Paulo, foi o ex-secretário-geral da Organização
das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.
Ele defendeu justamente a liberdade de expressão dos povos,
lembrou o aniversário de 60 anos da Declaração
dos Direitos Humanos e alertou para a necessidade de medidas corajosas
para combater o aquecimento global.
“Criando o futuro” é o tema central do encontro
que reúne mais de 1,4 mil profissionais de todo o País
e as mais importantes entidades de classe relacionadas à
indústria da comunicação. A remuneração
das agências é outro ponto em destaque, que promete
discussões acaloradas, uma vez que a bonificação
por volume, o famoso BV, hoje é de domínio dos anunciantes.
Alguns fazem compras diretas de espaço nos meios de comunicação
e outros exigem o repasse do desconto obtido pelas agências.
Segundo levantamento de Dalton Pastore, presidente da Associação
Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), a indústria
da propaganda emprega hoje 639 mil pessoas e movimenta R$ 57 bilhões,
dinheiro que irriga os meios de comunicação.
Para Pastore, o chamado do 4º Congresso tem a ver com o momento
atual “no qual várias instâncias sugerem restrições
à publicidade sem discussões prévias, cometendo
arbitrariedades contra a indústria”. Pelos seus cálculos,
são mais de 300 processos em andamento no Congresso Nacional
relacionados à comunicação comercial. O que
exige esforços das entidades do setor e o fortalecimento
do Conar.