Bolsa de Valores
Depois de um período de bonança, cheio de recordes,
o Ibovespa (principal referência da Bolsa de Valores
de São Paulo) iniciou o segundo semestre com o pé
esquerdo. A última semana, em especial, foi desastrosa
para o indicador, que perdeu 7,7% no período. O ambiente
não está favorável para quem investe
em bolsa, mas nem todos têm perdas nas mesmas proporções.
Quem aplica nos diferentes fundos de ações disponíveis
no mercado pode sofrer mais ou menos, dependendo da composição
das carteiras.
Diminuindo perdas
Os investidores dos fundos atrelados ao Ibovespa (que tentam
acompanhar as variações do indicador) normalmente
vêem o valor de seu patrimônio em ações
minguar nesses períodos de crise. Isso porque os
papéis do Ibovespa são os mais negociados
e os que os grandes investidores vendem em situações
adversas. Mas é possível que outro investidor,
que tenha um fundo de ações que privilegie
empresas com boas práticas de sustentabilidade, tenha
resultado melhor. Em resumo: fatores diferentes influenciam
os papéis das diversas carteiras de índices
e, por isso, os resultados são muito variados.
Adequação
Em períodos de crise ou não, a recomendação
dos especialistas para quem tem fundos de ações
é a mesma: o mais importante é escolher um
produto adequado a seu perfil. Além disso, é
preciso não esquecer da regra número um do
mercado de renda variável: o investimento de ações
é sempre de longo prazo.
Vale a dica
“Neste momento, o melhor é o investidor procurar
aplicar em ações de empresas do setor de petróleo,
beneficiadas pelas sucessivas altas do preço do produto
no exterior”, diz Clodoir Vieira, analista de investimentos
da corretora Souza Barros. “Seguindo a mesma lógica,
é melhor evitar papéis de companhias que tenham
custos relacionados ao petróleo.”
Comodidade
Os fundos de ações podem ser boa opção
para quem não pretende operar na bolsa de valores.
Esse produto financeiro garante maior comodidade ao investidor,
já que a gestão da carteira é feita
por especialistas. Nesse caso, o difícil é
escolher entre as centenas opções disponíveis.
Variantes
Existem dois grupos de fundos: os passivos e os ativos.
Os primeiros são indexados a algum índice,
como Ibovespa, Itel ou IBrx. Há uma variedade enorme
deles, com a vantagem a cobrança de taxas administrativas
menores que as dos ativos, hoje entre 1,5% e 2,5% ao ano.
“São fundos que reproduzem basicamente as oscilações
dos índices. Por isso têm custo menor. Mas
são também uma possibilidade importante de
diversificação”, diz o estrategista
de investimentos pessoais do Real ABN Amro Asset Management,
Aquiles Mosca.
Iniciantes
Fundos passivos ligados ao Ibovespa, por exemplo, têm
no portfólio as 50 ou 60 ações que
compõem o principal indicador da Bovespa. “É
ótimo para quem está entrando no mercado.
Quando o Jornal Nacional anunciar que a bolsa subiu ou desceu
tanto, a pessoa já sabe quanto ganhou ou perdeu no
dia”, comenta Mosca.
Em Alta
Os fundos passivos também podem ser de um segmento
econômico, como telecomunicações, petróleo
e gás ou energia elétrica. Nos anos 1990,
por exemplo, com o processo de privatização
das telecomunicações, os fundos indexados
ao Itel fizeram grande sucesso. Hoje, diz o estrategista
do Real Asset, estão em voga os fundos ligados ao
petróleo.
Direção certa
Os ativos são fundos que não têm compromisso
de seguir uma média: dependem exclusivamente da capacidade
do gestor e, por isso, tendem a cobrar taxas mais altas
(alguns chegam a 6% ao ano). Em compensação,
se bem administrados, podem dar resultados muito acima dos
indicadores tradicionais. Entre os ativos também
existem os fundos setoriais, como os de empresas com maior
responsabilidade social e ambiental.