Associação Comercial e Industrial de Limeira
26/jun a 02/jul de 2008

Editorial

Justiça e polícia de mãos dadas

Por mais que o Brasil inteiro deseje ver a cidade do Rio de Janeiro voltar aos tempos de calma, com seu povo trabalhando e se divertindo despreocupadamente, a ex-capital da República está preocupada, seu povo inquieto e inseguro. Aqueles morros outrora motivos de inspiração dos compositores de músicas tiveram suas faces e costumes mudados. Implantaram-se ali, com as necessárias exceções, verdadeiros impérios do crime, redutos de impiedosos comerciantes de drogas, despontando a cocaína como produto mais procurado pelos viciados. Há favelas – e são muitas – em que até menores são empregados para a venda do pó, minando a consciência de uma juventude que poderia ter um presente e um futuro digno, não esse voltado para um caminho em que vidas são destruídas e futuros truncados. Fatos que se repetem com freqüência mostram os embates entre policiais e criminosos, e muitas vezes nessas lutas não se sabe quem matou quem. É recente um desses lamentáveis acontecimentos, o que aumenta o medo na Cidade Maravilhosa.
Se bandidos são mortos também o são policiais em serviço. Num momento de tiroteio cerrado não se sabe com firmeza quem atirou em quem. A verdade é que ambas as partes lutam pela sobrevivência. Então fica muito difícil culpar policiais pelo extermínio de bandidos quando entre eles possa haver inocentes, instrumentos dos grupos do narcotráfico. Nesses embates, uns lutam contra nós. É ai que se torna mais penosa a ação da justiça. Se a ela não poderão ser imputados erros ou despreparo, aos agentes policiais idem, porque eles são pagos e preparados para livrar a sociedade de quem a rouba e mata. Sempre que haja confronto (que felicidade se não houvesse) entre as forças do bem e as correntes do mal, tem de haver o máximo cuidado no julgamento daqueles que ganham pouco e se arriscam para defender vidas e o patrimônio de quem luta e trabalha sob o signo da honestidade.