| Por mais que o Brasil inteiro deseje ver a cidade
do Rio de Janeiro voltar aos tempos de calma, com seu povo trabalhando
e se divertindo despreocupadamente, a ex-capital da República
está preocupada, seu povo inquieto e inseguro. Aqueles morros
outrora motivos de inspiração dos compositores de
músicas tiveram suas faces e costumes mudados. Implantaram-se
ali, com as necessárias exceções, verdadeiros
impérios do crime, redutos de impiedosos comerciantes de
drogas, despontando a cocaína como produto mais procurado
pelos viciados. Há favelas – e são muitas –
em que até menores são empregados para a venda do
pó, minando a consciência de uma juventude que poderia
ter um presente e um futuro digno, não esse voltado para
um caminho em que vidas são destruídas e futuros truncados.
Fatos que se repetem com freqüência mostram os embates
entre policiais e criminosos, e muitas vezes nessas lutas não
se sabe quem matou quem. É recente um desses lamentáveis
acontecimentos, o que aumenta o medo na Cidade Maravilhosa.
Se bandidos são mortos também o são policiais
em serviço. Num momento de tiroteio cerrado não se
sabe com firmeza quem atirou em quem. A verdade é que ambas
as partes lutam pela sobrevivência. Então fica muito
difícil culpar policiais pelo extermínio de bandidos
quando entre eles possa haver inocentes, instrumentos dos grupos
do narcotráfico. Nesses embates, uns lutam contra nós.
É ai que se torna mais penosa a ação da justiça.
Se a ela não poderão ser imputados erros ou despreparo,
aos agentes policiais idem, porque eles são pagos e preparados
para livrar a sociedade de quem a rouba e mata. Sempre que haja
confronto (que felicidade se não houvesse) entre as forças
do bem e as correntes do mal, tem de haver o máximo cuidado
no julgamento daqueles que ganham pouco e se arriscam para defender
vidas e o patrimônio de quem luta e trabalha sob o signo da
honestidade.
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