| Quinta-feira estive
em São Paulo para participar da comemoração
dos 200 anos da Indústria no Brasil e dos 80 anos do CIESP.
O evento que aconteceu no World Trade Center reuniu cerca de 3.000
empresários, ministros de estado, governador, senador,
deputados federais e os maiores pesos pesados da indústria
nacional para discussão da reforma tributária e
da política industrial.
Debates acalorados, sempre mantendo um alto nível, mostraram
a triste realidade brasileira; o governo gasta mal, gasta errado
e impede o crescimento sustentado mais rápido.
Discutiu-se o imposto por dentro e por fora, a transparência
e até a seriedade da reforma proposta pelo governo, considerada
tímida diante da carga tributária brasileira.
Depoimentos como o de Jorge Gerdau que possui empresas em 14 países;
de Geraldo Haenel presidente do Grupo Paranapanema que controla
a Mineração Taboca-Mamoré, a Caraíba
Metais, a Cibrafértil Fertilizantes e a Eluma S/A. Ind.
Com. e que para manter a competitividade é obrigado a importar
matéria-prima mesmo produzindo-a em outra de suas empresas;
de Martins da Marco Pólo que está instalando na
Índia a maior indústria de ônibus do mundo,
com 25.000 unidades/ano a um custo de 23% mais baixo; apontam
para uma realidade muito cruel comparada a qualquer país
do mundo.
Para mostrar como o governo está na contramão, ao
mesmo tempo em que apresenta a reforma, propõe a criação
da CSS aprovada na Câmara na noite anterior, por dois votos
de diferença. Aprovação esta que teve Palocci,
presidente da comissão de reforma tributária, votando
favoravelmente, e Sandro Mabel, relator da referida comissão,
abstendo-se de votar, fatos que deixam dúvidas quanto à
legitimidade das propostas.
Para completar este horizonte sombrio, o ministro da Defesa, Nelson
Jobim, disse que no Desfile da Independência, as Forças
Armadas estarão desfilando com fardas importadas da China.
Finalizando, uma boa notícia: o senador Arthur Virgílio,
garantiu durante o evento que a famigerada CSS não será
aprovada pelo Senado.
Reinaldo Bastelli
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