Associação Comercial e Industrial de Limeira

19 a 25 de junho de 2008

Economia

Proteja-se da inflação

Proteger o patrimônio é sempre uma preocupação importante dos investidores. Mas há aqueles que são mais cautelosos e têm verdadeira aversão ao risco. Não imaginam perder da noite para o dia em aplicações de risco, como bolsa de valores, 4%, 5% do dinheiro que levaram uma vida inteira para juntar. Em tempos de inflação em alta e, por conseqüência, juros também crescentes, a vontade de se prevenir aumenta. Para esse tipo de investidor, os analistas são unânimes em afirmar: muitas vezes vale a pena abrir mão de uma alta rentabilidade em troca de segurança.
Nesses casos são indicadas aplicações de hedge (uma espécie de blindagem financeira), principalmente para períodos de crise. Com a estratégia, investidores com intenções definidas cobrem-se do risco das variações de preços desvantajosas para eles, como, por exemplo, um produtor que garante o preço de venda de sua colheita futura fazendo hedge na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F). A operação é bem adequada para o momento atual, afirma o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.
Os fundos DI estão no topo da lista das indicações dos analistas atualmente, por acompanharem a taxa básica de juros (Selic), que deve continuar subindo para alinhar a inflação à trajetória desejada pelo governo. O próprio Banco Central sinalizou que o ciclo de elevações está longe de terminar – isso ficou claro na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada.
A Selic já passou por dois aumentos consecutivos e hoje está em 12,25% ao ano. O mercado financeiro prevê que, na próxima reunião do Comitê, poderá ocorrer um aumento de 0,75 ponto percentual.
Outra indicação do economista-chefe da Sul América é a procura por títulos públicos referenciados em índices de inflação. É o caso, por exemplo, das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) e das NTN-B Principal, cuja rentabilidade está associada ao IPCA. O problema, neste caso, é que nem todo investidor tem acesso a esse tipo de aplicação. “Não é um produto que se encontra facilmente no varejo. Ele é mais específico e, portanto, menos acessível ao investidor comum”, explica Rosa.
Para o gerente de gestão de recursos da Nossa Caixa, Rogério Perna, há ainda uma outra alternativa para quem quer se proteger. Ele deixa claro, porém, que a recomendação vale apenas para pequenos exportadores e não para pessoas físicas. São as aplicações de hedge cambial, indicadas para proteção no comércio exterior independentemente do cenário macroeconômico. “Mesmo com a apreciação do real, quem quer evitar sobressaltos na exportação deve continuar procurando por esse tipo de aplicação”, afirma.