Proteger o patrimônio é sempre
uma preocupação importante dos investidores. Mas há
aqueles que são mais cautelosos e têm verdadeira aversão
ao risco. Não imaginam perder da noite para o dia em aplicações
de risco, como bolsa de valores, 4%, 5% do dinheiro que levaram
uma vida inteira para juntar. Em tempos de inflação
em alta e, por conseqüência, juros também crescentes,
a vontade de se prevenir aumenta. Para esse tipo de investidor,
os analistas são unânimes em afirmar: muitas vezes
vale a pena abrir mão de uma alta rentabilidade em troca
de segurança.
Nesses casos são indicadas aplicações de hedge
(uma espécie de blindagem financeira), principalmente para
períodos de crise. Com a estratégia, investidores
com intenções definidas cobrem-se do risco das variações
de preços desvantajosas para eles, como, por exemplo, um
produtor que garante o preço de venda de sua colheita futura
fazendo hedge na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F). A operação
é bem adequada para o momento atual, afirma o economista-chefe
da Sul América Investimentos, Newton Rosa.
Os fundos DI estão no topo da lista das indicações
dos analistas atualmente, por acompanharem a taxa básica
de juros (Selic), que deve continuar subindo para alinhar a inflação
à trajetória desejada pelo governo. O próprio
Banco Central sinalizou que o ciclo de elevações está
longe de terminar – isso ficou claro na ata da última
reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), divulgada na semana passada.
A Selic já passou por dois aumentos consecutivos e hoje está
em 12,25% ao ano. O mercado financeiro prevê que, na próxima
reunião do Comitê, poderá ocorrer um aumento
de 0,75 ponto percentual.
Outra indicação do economista-chefe da Sul América
é a procura por títulos públicos referenciados
em índices de inflação. É o caso, por
exemplo, das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) e
das NTN-B Principal, cuja rentabilidade está associada ao
IPCA. O problema, neste caso, é que nem todo investidor tem
acesso a esse tipo de aplicação. “Não
é um produto que se encontra facilmente no varejo. Ele é
mais específico e, portanto, menos acessível ao investidor
comum”, explica Rosa.
Para o gerente de gestão de recursos da Nossa Caixa, Rogério
Perna, há ainda uma outra alternativa para quem quer se proteger.
Ele deixa claro, porém, que a recomendação
vale apenas para pequenos exportadores e não para pessoas
físicas. São as aplicações de hedge
cambial, indicadas para proteção no comércio
exterior independentemente do cenário macroeconômico.
“Mesmo com a apreciação do real, quem quer evitar
sobressaltos na exportação deve continuar procurando
por esse tipo de aplicação”, afirma. |