| Mesmo sem CPMF
Mesmo sem a Contribuição sobre Movimentação
Financeira (CPMF), a arrecadação do governo não
pára de crescer. A carga tributária no primeiro
trimestre deste ano atingiu 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB),
uma expansão de 1,87 ponto percentual sobre igual período
do ano passado. No período, os brasileiros pagaram R$ 258,9
bilhões em impostos para as três esferas de governo.
Governo fatura alto em impostos
Se a CPMF estivesse vigorando, seria necessário acrescentar
R$ 7,48 bilhões a esse valor. Os dados são de um
estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT). Em termos nominais, no período, o Imposto de Renda
(IR) foi o que apresentou o maior crescimento, com R$ 11,78 bilhões
arrecadados. Em segundo lugar, aparece o Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), com R$ 7,74 bilhões,
seguido da contribuição ao Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS), com R$ 6,53 bilhões. “A expansão
da economia e a maior formalização de empregos explicam
o crescimento da arrecadação do IR”, diz o
presidente do IBPT, Gilberto Amaral.
Expansão
Em percentuais, no entanto, o Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) foi o que apresentou a maior expansão:
153,11%. O bom desempenho é creditado ao aumento das alíquotas
do tributo no início do ano, promovido pelo governo para
compensar a perda de arrecadação com o fim da CPMF.
O IR teve expansão de 32,39%, seguido do Imposto de Importação
(II), que cresceu 31,02%.
ICMS
De acordo com Amaral, a incidência de tributos sobre outros
impostos é uma das explicações para a trajetória
sempre ascendente da arrecadação. A contribuição
ao INSS, por exemplo, compõe a base de cálculo da
Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins), do Programa de Integração Social
(PIS) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS). “Se as empresas contratam mais,
aumenta o valor da folha de salários e, conseqüentemente,
a arrecadação dos outros tributos”, explica
o presidente do IBPT.
Recolhimento
Outro exemplo emblemático dessa rentável técnica
de cobrança diz respeito ao ICMS, que entra no cálculo
do PIS e da Cofins, fazendo com que as empresas recolham sobre
o montante das duas contribuições 15% a mais (alíquota
média do ICMS). A constitucionalidade dessa sistemática
está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF)
e é considerada uma das maiores disputas tributárias
da história. |
Festança com muito imposto
Presente sempre nas festas populares, também
na Junina quem mais se diverte é o Leão. São
fortemente tributados os produtos de alto consumo durante a comemoração
típica. Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT) mostra que no preço final do amendoim,
por exemplo, estão embutidos 36,54% de impostos. Sobre
a canjica, a tributação representa 35,38% do preço
final. Na paçoca e na cocada, a mordida do leão
significa 36,54% do que o consumidor paga. O quentão ocupa
lugar de destaque dos produtos mais tributados: 61,56%.

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