Associação Comercial e Industrial de Limeira

12 a 18 de junho de 2008

Economia

Banco Central sabe o quanto você tem no bolso

Acil/ Arquivo
Vem se tornando um hábito trocar o dinheiro no bolso pela utilização de cartão crédito e débito
Dizem que o conteúdo da bolsa de uma mulher ou da carteira dos homens revela muito de sua personalidade. Se isso é verdade, o Banco Central poderia ser considerado uma espécie de vidente, pelo menos da vida financeira das pessoas. Você sabe quanto tem na sua carteira neste momento? Se são cerca de R$ 30 e você usa esse dinheiro para compras pequenas, como as de padaria, e opta pelos cartões de débito e crédito para contas maiores, o BC está certo. Esses são alguns dos hábitos financeiros da maioria da população brasileira, de acordo com as estatísticas de uso de moeda mais recentes da instituição.
Mas nas ruas do Centro de São Paulo, no meio da concentração do mercado financeiro, também é fácil encontrar pessoas com posições mais extremas. O gerente de tecnologia André Antunes conta que nunca tem dinheiro no bolso. Prefere dois cartões de crédito e um de débito. “Quando preciso gastar, passo em um caixa eletrônico. É mais seguro. Em breve o dinheiro de papel será coisa do passado”, afirma.
A teoria de Antunes tem fundamento. De acordo com o chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central, João Sidney de Figueiredo Filho, nos anos 1980, a expectativa realmente era de que, no século 21, as notas e as moedas não circulariam mais – as transações seriam eletrônicas. Só que, na prática, isso ainda vai demorar muito para ocorrer.
A tecnologia dos bancos está longe de chegar a todos. A maior parte da população (77%) faz seus pagamentos mensais de contas e compras de produtos com dinheiro vivo. Os demais 23% usam outros meios: 11%, cartão de crédito; 8%, de débito. Apenas 3% optam pelo talão de cheques e 1%, pelo débito automático. O valor que cada um carrega aumentou. Em 2005, a média era de R$ 30,94 por consumidor. Em 2007, foi de R$ 31.
O chefe do Departamento do Meio Circulante do BC explica o porquê de, apesar do crescente investimento dos bancos em tecnologia, a maioria das pessoas ainda ter o hábito de comprar em dinheiro. “Em muitas regiões brasileiras os trabalhadores ainda não têm conta corrente e recebem salário em dinheiro, como no Nordeste, por exemplo, onde o índice de profissionais que se enquadram nessa situação chega a 70%.”

Moeda de R$ 2

Enquanto isso, o dinheiro em espécie continua mesmo em alta. O levantamento mostra que 64% das pessoas destinam até R$ 500 todo mês para pagar contas e produtos. Para melhorar o dia-a-dia desse consumidor, o Banco Central está estudando a possibilidade de criar a moeda de R$ 2, entre outras coisas.
Para o diretor da pós-graduação da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), Tharcísio Souza Santos, as pessoas ainda não estão acostumadas a trabalhar com as instituições financeiras – um mercado que tem muito a crescer no Brasil. “Na Europa, EUA e Japão, os cartões de crédito e débito são muito comuns. O caminho é bancarizar os menos favorecidos. É como o computador: há dez anos, só as classes A e B tinham. Hoje, quase todos têm.”