Associação Comercial e Industrial de Limeira
05 a 11 de junho de 2008

Editorial

Possuir carro não é afirmação. Exibicionismo é ignorância

Houve tempo em que ter um carro de passeio dava a uma pessoa ou família uma certa posição de destaque na sociedade. Poucos tinham um veículo, e era considerado privilégio. Isso entretanto, pertence ao passado, pois aconteceu há mais de cinqüenta anos. Com a expansão da indústria automobilística no mundo inteiro e sua implantação em nosso País na era Kubitschek, houve mudança radical nessa área, o que aconteceu até na lavoura pela substituição do arado pelo trator.
A partir desse tempo, a evolução foi a tal ponto que o grau de desenvolvimento de um município era medido pelo número de veículos nele existentes.
Os automóveis deixaram de ser dirigidos somente pelos mais velhos, porque a juventude passou a ser vista nos volantes dos Fuscas, dos Chevrolet, Ford, Studbaker, Chrysler, e outras marcas que invadiram o mercado. Um jovem dirigindo carro era visto com mais respeito e até com inveja pelos demais, e isso pesava até no momento de conseguir namoradas. Enquanto o quadro era esse, tudo bem, mas tudo mal ao surgirem os que acham que dirigir um carro próprio ou dos pais, é prova de superioridade ou afirmação. Não contentes com o uso racional dos carros, muitos dos que os dirigem apelam para o lado irracional e passam a dirigir em velocidades proibidas, e muitas das vezes em estado de embriaguez, ou o que é pior: drogados. Esses irresponsáveis fazem a maior estupidez, as maiores loucuras ao volante. Incapazes de se fazerem notar pela inteligência, pela capacidade, pela cultura ou sucesso nos esportes ou nas empresas, esses loucos varridos se entregam as mais alucinantes exibições de burrice, perdendo as próprias vidas a acabando com outras, nas apostas, nos rachas, dirigindo alucinadamente por ruas, estradas ou avenidas. Assim, os energúmenos mostram o quanto são irracionais.
Os que se salvam nessas correrias desenfreadas deveriam ser apontados como elementos indesejáveis, nocivos às suas cidades, aos seus países, pois nada se espera dos mesmos, e a eles devem ser aplicadas as mais severas penalidades, com proibição imediata de continuarem a dirigir e sem o mínimo direito de contestação de suas culpas.