| Houve tempo em que ter um carro de passeio dava
a uma pessoa ou família uma certa posição de
destaque na sociedade. Poucos tinham um veículo, e era considerado
privilégio. Isso entretanto, pertence ao passado, pois aconteceu
há mais de cinqüenta anos. Com a expansão da
indústria automobilística no mundo inteiro e sua implantação
em nosso País na era Kubitschek, houve mudança radical
nessa área, o que aconteceu até na lavoura pela substituição
do arado pelo trator.
A partir desse tempo, a evolução foi a tal ponto que
o grau de desenvolvimento de um município era medido pelo
número de veículos nele existentes.
Os automóveis deixaram de ser dirigidos somente pelos mais
velhos, porque a juventude passou a ser vista nos volantes dos Fuscas,
dos Chevrolet, Ford, Studbaker, Chrysler, e outras marcas que invadiram
o mercado. Um jovem dirigindo carro era visto com mais respeito
e até com inveja pelos demais, e isso pesava até no
momento de conseguir namoradas. Enquanto o quadro era esse, tudo
bem, mas tudo mal ao surgirem os que acham que dirigir um carro
próprio ou dos pais, é prova de superioridade ou afirmação.
Não contentes com o uso racional dos carros, muitos dos que
os dirigem apelam para o lado irracional e passam a dirigir em velocidades
proibidas, e muitas das vezes em estado de embriaguez, ou o que
é pior: drogados. Esses irresponsáveis fazem a maior
estupidez, as maiores loucuras ao volante. Incapazes de se fazerem
notar pela inteligência, pela capacidade, pela cultura ou
sucesso nos esportes ou nas empresas, esses loucos varridos se entregam
as mais alucinantes exibições de burrice, perdendo
as próprias vidas a acabando com outras, nas apostas, nos
rachas, dirigindo alucinadamente por ruas, estradas ou avenidas.
Assim, os energúmenos mostram o quanto são irracionais.
Os que se salvam nessas correrias desenfreadas deveriam ser apontados
como elementos indesejáveis, nocivos às suas cidades,
aos seus países, pois nada se espera dos mesmos, e a eles
devem ser aplicadas as mais severas penalidades, com proibição
imediata de continuarem a dirigir e sem o mínimo direito
de contestação de suas culpas.
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