CPMF |
Empresariado
reage com repúdio sobre a recriação |
A idéia de recriar a CPMF
foi duramente criticada pelo empresariado, mesmo depois de o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva ter pedido a seus ministros que
deleguem a discussão sobre o tema para o Congresso Nacional.
Marcel Solimeo, economista chefe do Instituto Gastão Vidigal,
da Associação Comercial de São Paulo (ACSP),
classifica a iniciativa do Planalto como “um desaforo ao Congresso”,
que no ano passado já havia decidido pelo fim do tributo.
A hipótese aventada pelo governo foi a de ressuscitar a contribuição
com a alíquota de 0,08% - a CPMF foi extinta com alíquota
de 0,38%. A medida seria uma contrapartida à provável
aprovação da Emenda Constitucional 29, que tramita
na Câmara, e prevê aumento de repasse para a Saúde.
Segundo Solimeo, “o crescimento da arrecadação
do governo torna desnecessária a instituição
de um imposto compensatório”. O economista ainda lembra
que, quando a CPMF apareceu, em 1996, sua alíquota também
era baixa (0,2%), mas foi aumentando ao longo dos anos.
José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas
de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo
(Sescon-SP), classifica a tentativa do governo de recriar a contribuição
como “uma afronta à sociedade”. Chapina diz acreditar
que o Congresso tenha o bom senso para não ressuscitar a
CPMF. “Imagino que os parlamentares tenham uma personalidade
só. Quem votou pela extinção do tributo, deve
repetir o voto”, diz o presidente do Sescon-SP.
Em nota, a Federação do Comércio do Estado
de São Paulo (Fecomercio) apelou aos parlamentares para que
permaneçam contrários ao retorno da CPMF e “de
seus eventuais clones”. O texto se seguiu afirmando que “qualquer
tentativa de ressuscitar a contribuição produziria
efeitos negativos na sociedade brasileira, que já arca com
uma pesada e injusta carga de tributária”.
Também em nota, Paulo Skaf, presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destacou
que a sociedade brasileira não aceita mais aumento ou criação
de impostos. “A CPMF foi enterrada em dezembro de 2007”,
diz a nota, que segue propondo que “o importante é
discutir o PAC e a reforma tributária”. |
‘É um problema do Congresso’,
diz Lula |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a criação
de um novo imposto para gerar receita para a saúde é
um “problema do Congresso”. Ele defendeu uma nova
fonte de recursos, mas disse que nem o governo nem a base aliada
participarão de qualquer iniciativa para que o Congresso
aprove um novo imposto.
“Eu vou deixar claro que não partirá do governo
e não haverá da base do governo qualquer iniciativa
para que o Congresso aprove qualquer imposto. Isso é um
problema do Congresso. O governo federal perdeu a CPMF em dezembro
e estamos trabalhando sem a CPMF. Mas acho que, se o Congresso
quer regulamentar a emenda 29, (saiba mais na coluna “Vitrine”
desta edição) é importante que pensem como
aumentar o dinheiro para a saúde sem ter nova receita”.
No fim do ano passado, o Senado rejeitou a proposta que prorrogava
a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), que havia sido criada inicialmente para gerar
receita para investimentos em saúde.
Agora, o Congresso discute a Emenda 29, que obriga o governo a
investir cerca de R$ 20 bilhões em saúde até
2011, mas não especifica de onde viriam os recursos. A
emenda já foi aprovada no Senado e deve ser votada na Câmara
dos Deputados.
“Para nós, ela (a Emenda 29) foi aprovada por unanimidade
no senado. A Câmara tem de votar. Eu quero que eles pensem
na Emenda 29, mas pensem sobretudo que não é possível
aumentar despesas sem você aumentar receitas”, afirmou.
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Governo diz que não vai apresentar
nova proposta de imposto para financiar saúde
O ministro das Relações Institucionais,
José Múcio, disse que o governo não vai apresentar
proposta para criar um novo imposto nos moldes da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Segundo ele, a criação de uma nova fonte de receita
para a saúde foi bastante debatida na reunião de coordenação
política, e o governo chegou à conclusão de
que não deve se envolver na negociação no Congresso.
Segundo ele, o governo não quer reviver o desgaste político
sofrido no final do ano passado quando a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) para prorrogação da cobrança da CPMF
foi derrotada no Senado.
“Governo não vai interferir nisso. Assim como governo
não foi ouvido para aprovação, governo não
vai interferir se a Casa criar fonte de receita. Da outra vez, movimentamos
os aliados e não tivemos sucesso, não queremos entrar
em quebra de braço novamente com a Casa. Ninguém esqueceu
aquilo. Não foi uma coisa boa para o governo (a derrota da
CPMF)”, comentou o ministro.
Segundo ele, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a apresentar
um estudo sobre o aumento de arrecadação proposta
pela base no Congresso, mas a conclusão é que seria
insuficiente para financiar o projeto que aumenta os repasses para
a saúde.
O ministro afirmou que a decisão sobre o não envolvimento
do governo no debate sobre a criação de um novo imposto
foi tomada de forma unânime pelos membros da coordenação
política e coube ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva a decisão final sobre a posição do governo.
Participaram da reunião, além do presidente e de Múcio,
os ministros da Fazenda, Guido Mantega, a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, o ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência,
Luiz Dulci, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o ministro
da Justiça, Tarso Genro, e o vice-presidente, José
Alencar. |
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