Comércio em crescimento
O comércio tem sido o grande responsável pela alta
do faturamento que as micro e pequenas empresas (MPE) registram
neste início de ano. Em fevereiro, dado mais atualizado do
Sebrae-SP, o comércio cresceu 11,6% em relação
a fevereiro de 2007. Já os pequenos negócios da indústria
e de serviços tiveram quedas em suas receitas de 4,3% e 10,2%,
respectivamente.
Portanto, não surpreende que o varejo esteja no topo da lista
dos setores que mais contratam. Embora o Sebrae-SP registre estabilidade
no emprego nesse início do ano entre os pequenos empresários,
nos bastidores, ou melhor, nas lojas, as contratações
estão a todo vapor. Elas decorrem tanto da abertura de novas
unidades quanto da inauguração ou mesmo ampliação
de shopping centers.
Mínimo paulista sobe para R$ 450
No dia 1º de maio, começou a valer no Estado de São
Paulo o novo piso salarial regional sancionado pelo governador José
Serra. O valor passou de R$ 410,00, R$ 450,00 e R$ 490,00 para R$
450,00, R$ 475,00 e R$ 505,00, respectivamente.
Conforme a Lei 12.967, as faixas salariais foram estabelecidas de
acordo com 105 ocupações. Os reajustes de todas as
faixas foram superiores à inflação acumulada
no período.
Entre julho de 2007, mês anterior à vigência
do Piso Salarial Regional de São Paulo, e fevereiro de 2008,
a inflação acumulada pelo Índice de Preços
ao Consumidor (IPC) medida pela Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas (Fipe) foi de 2,40%. Já os
aumentos do piso atingiram índices de 9,76% para a 1ª
faixa; 5,56% para a 2ª faixa; e 3,06% para a 3ª faixa.
Criado em agosto de 2007, o piso é voltado aos trabalhadores
da iniciativa privada que não possuem piso salarial definido
por lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho,
de acordo com a Lei Complementar 103/2000. Estima-se que cerca de
um milhão de pessoas tenham sido beneficiadas pelo Piso Salarial
Regional em todo o Estado de São Paulo.
Tarifas: novas regras estão em vigor.
Desde o início do mês, as tarifas bancárias
passaram a seguir novas regras. Com a intenção de
tornar a relação entre bancos e clientes mais transparente
e estimular a concorrência, o governo decidiu padronizar o
nome dos serviços prestados e criar pacotes com as tarifas
mais comuns. Com isso, alguns itens passam a ser gratuitos.
Os serviços bancários mais simples, classificados
como essenciais – como o fornecimento de cartão de
débito e dez folhas de cheque por mês – passam
a ser obrigatoriamente gratuitos. Foram criadas, ainda, outras três
categorias de serviços: prioritários, especiais e
diferenciados. Nesses grupos, estão os itens que podem ser
cobrados.
Na classe prioritária estão os serviços mais
usados pelos clientes e que, segundo o Banco Central (BC), cobrem
a maioria das tarifas normalmente cobradas dos brasileiros. Nesse
grupo, os serviços deverão ser listados em extrato
de forma idêntica em todos os bancos e haverá regras
para a alteração dos preços.
O aumento de tarifas, por exemplo, só pode ocorrer 180 dias
após a última alteração de preços
e toda mudança deve ser anunciada aos clientes com 30 dias
de antecedência. A redução pode ser feita a
qualquer momento. A inclusão ou retirada de serviços
nos grupos tarifários só pode ser decidida pelo Banco
Central ou pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A inflação dos alimentos
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já tem como
certo o aumento dos preços dos alimentos no mercado interno
para os próximos meses. A alta, ainda não determinada
em planilhas, é o reflexo direto da crise internacional que
deve se agravar, pelo menos no curto prazo.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também
já identificou os aumentos e projeta mais pressão
inflacionária para o próximo mês. De acordo
com a análise da fundação, o acumulado dos
últimos 12 meses do Índice Geral de Preços
do Mercado (IGP-M) registrou alta de 9,81%, o mais alto desde 2005.
Colaboraram muito para o crescimento do índice os produtos
alimentícios industrializados responsáveis por 60%
da composição do IGP-M, com alta de 0,65% neste mês.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde
por 30% do IGP-M, subiu 0,76% com destaque para a alimentação
que apresentou alta de 1,76% no período.
A crise dos alimentos no planeta está fundamentada em três
fatores: o aumento de pessoas consumindo alimentos – principalmente
na China –, com cerca de 300 milhões de novos consumidores,
a especulação e a aposta dos Estados Unidos no etanol
de milho que desequilibrou a oferta mundial do produto, afetando
outras commodities. O Brasil também é alvo de críticas
com a ampliação da produção de etanol
de cana-de-açúcar. |