Associação Comercial e Industrial de Limeira
24 a 30 de abril de 2008

Empresa Familiar

Estudo mostra que 81% necessita de planejamento

Planejar é a palavra chave para as pequenas e médias empresas brasileiras de origem familiar. Pesquisa do Núcleo de Estudos de Empresas Familiares e Governança Corporativa, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), mostra que em 81% dos casos elas não desenvolvem programas para a formação das gerações que assumirão o negócio. O que explica, em parte, a permanência de 55% dos fundadores à frente do empreendimento.
“Não preparar as novas gerações é como correr a 200 quilômetros por hora contra um muro”, compara o coordenador do núcleo, Eduardo Najjar. Além disso, comenta, esses fundadores têm mais de 60 anos, “o que quer dizer que não querem deixar o posto”.
Na empresa familiar, uma mesma pessoa convive com diferentes papéis, como o de sócio (com ou sem participação na gestão), gestor, além de membro da família – em alguns casos, famílias com dezenas de herdeiros. A definição formal dos papéis, aconselha Najjar, é um dos desafios para os empreendimentos com esse perfil.
A lição de casa, diz o estudioso, é estabelecer um acordo societário. O documento, com peso legal, deverá conter o que pode e o que é proibido na sociedade.
As regras devem ser criadas por meio de consenso entre os representantes de todos os sócios, e o documento, assinado por todas as famílias. Entre as empresas pesquisadas pela ESPM, no entanto, 61% não têm um conselho de família ativo. Nas demais, o conselho não existe (16%), ou é informal (23%). “A empresa que vai bem, mas está em família que não se entende, está ameaçada a médio prazo”, sentencia Najjar.
O conselho de administração, segundo ele outra instância fundamental à sobrevivência do negócio, também inexiste na maioria (77%) dos empreendimentos pesquisados. Ele só é atuante em 14% dos casos. “O conselho é o que profissionaliza as relações de gestão; onde se consegue resolver problemas e olhar para o futuro estratégico da empresa”, ressalta o pesquisador, lembrando que a participação da mulher é outro ponto a avançar, já que 54% das empresas pesquisadas não têm mulheres na diretoria.