Associação Comercial e Industrial de Limeira

17 a 23 de abril de 2008

Economia em Notas

Crédito levou milhões à classe C
Apontados como os responsáveis pela atual explosão de vendas no varejo, os cerca de 20 milhões de brasileiros que migraram da classe D para a C nos últimos meses, e foram às compras de diversos itens industrializados, não devem manter esse ritmo de consumo no médio e longo prazos. A opinião é do economista e especialista em mercado financeiro de Brasília, Humberto Veiga.
Para ele, é a atual abundância de crédito no mercado que sustenta o consumo dos emergentes à classe C. Esse filme, inclusive, o varejo já viu, entre 1997 e 1998, mas parece que esqueceu no que deu: inadimplência e quebradeira. “Como ocorreu antes, os novos consumidores estão se endividando, e existe uma grande chance de não conseguirem pagar por essas novas contas”, observou o economista.
A classificação de classe econômica é feita pela verificação de quais utensílios o cidadão tem em casa e seu nível de escolaridade. Dessa forma, se uma pessoa compra um DVD, um aparelho de televisão em cores e uma máquina de lavar, “tem grande chance de sair da classe D para a classe C. Na classificação, ter entre um e quatro aparelhos de DVD em casa valem dois pontos na pesquisa. Uma TV vale um; duas, dois; três somam três pontos; e quatro televisores, quatro pontos.

Dos 250 dias de trabalho, apenas 165 são produtivos
O trabalhador brasileiro está cada vez mais improdutivo. Uma pesquisa realizada pela Proudfoot Consulting, consultoria americana especializada em atuação operacional, revela que dos 250 dias considerados úteis no País, apenas 165 são realmente de trabalho nas grandes corporações. O restante, 85 dias, são totalmente desperdiçados. O principal motivo são funcionários apáticos e incompetentes, que permanecem 34% do tempo completamente inativos dentro das companhias em que trabalham.
O estudo mostrou que a falta de profissionais qualificados (23%) e a falta de gerência pró-ativa (21%) são os principais fatores de não haver um constante crescimento da produtividade nas empresas.
No Brasil, quando se trata de competitividade nos próximos 12 meses, a redução de custos e a melhoria da receita aparecem em 23% das entrevistas, seguida pela elevação da produtividade, em 22%, e por investimento em tecnologia, em 18%, segundo estudo.
Apesar do resultado negativo, 74% dos brasileiros classificaram a produtividade em suas companhias como muito boa ou boa, enquanto nos países desenvolvidos essa taxa não alcança números tão altos.

Mulher usa mais o cartão de loja
É nas mãos das mulheres com idade variando de 25 a 39 anos que se encontra a maioria dos cartões private label – cartões de loja –, segundo uma pesquisa do Ibope Inteligência, braço do instituto Ibope voltado ao varejo. A pesquisa, realizada em 11 cidades brasileiras, ouviu 15 mil consumidores, dos quais 28% confirmaram possuírem ao menos um cartão de loja. Ainda assim, a participação desse tipo de cartão no mercado está distante do seu potencial de abrangência, na avaliação da diretora-executiva de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, Laure Castelnau.
Para a executiva “há um potencial de crescimento grande dos private labels entre os consumidores”, em especial, segundo Laure, entre o público pertencente à classe social de menor renda, classificada de classes ‘C’ e ‘D’. O índice de adesão desse público aos cartões de loja é, atualmente, de 27% (entre a classe C) e de 16% (na classe D). Mas está em 35% nas classes ‘A’ e ‘B’.

Balança registra superávit
A balança comercial teve superávit de US$ 319 milhões na segunda semana de abril, com exportações de US$ 3,072 bilhões e importações de US$ 2,753 bilhões. No mês, o superávit acumulado é de US$ 1,161 bilhão, e no ano, de US$ 3,998 bilhões, resultado 61,9% menor que o obtido no mesmo período de 2007.
Apesar da queda no valor acumulado no ano, o saldo das duas primeiras semanas deste mês já superou o resultado de todo o mês de março, que foi de US$ 1,012 bilhão.
A recuperação se deve principalmente à desaceleração do ritmo de crescimento das importações, possivelmente um reflexo da greve dos auditores fiscais, que tem provocado lentidão na liberação de mercadorias nos portos e aeroportos.
Em relação a março, a média diária das importações caiu 12,9%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as principais retrações ocorreram com produtos siderúrgicos (33,0%), produtos farmacêuticos (28,0%), combustíveis e lubrificantes (21,6%), borracha e obras (17,8%), instrumentos de ótica e precisão (16,1%), além de automóveis e partes (14,0%).
Mas as importações ainda acumulam expansão de 22,2% em relação a abril do ano passado. E o valor acumulado no ano é 44,4% maior do que o do mesmo período de 2007.