Crédito levou milhões
à classe C
Apontados como os responsáveis pela atual explosão
de vendas no varejo, os cerca de 20 milhões de brasileiros
que migraram da classe D para a C nos últimos meses, e foram
às compras de diversos itens industrializados, não
devem manter esse ritmo de consumo no médio e longo prazos.
A opinião é do economista e especialista em mercado
financeiro de Brasília, Humberto Veiga.
Para ele, é a atual abundância de crédito no
mercado que sustenta o consumo dos emergentes à classe C.
Esse filme, inclusive, o varejo já viu, entre 1997 e 1998,
mas parece que esqueceu no que deu: inadimplência e quebradeira.
“Como ocorreu antes, os novos consumidores estão se
endividando, e existe uma grande chance de não conseguirem
pagar por essas novas contas”, observou o economista.
A classificação de classe econômica é
feita pela verificação de quais utensílios
o cidadão tem em casa e seu nível de escolaridade.
Dessa forma, se uma pessoa compra um DVD, um aparelho de televisão
em cores e uma máquina de lavar, “tem grande chance
de sair da classe D para a classe C. Na classificação,
ter entre um e quatro aparelhos de DVD em casa valem dois pontos
na pesquisa. Uma TV vale um; duas, dois; três somam três
pontos; e quatro televisores, quatro pontos.
Dos 250 dias de trabalho, apenas 165 são
produtivos
O trabalhador brasileiro está cada vez mais improdutivo.
Uma pesquisa realizada pela Proudfoot Consulting, consultoria americana
especializada em atuação operacional, revela que dos
250 dias considerados úteis no País, apenas 165 são
realmente de trabalho nas grandes corporações. O restante,
85 dias, são totalmente desperdiçados. O principal
motivo são funcionários apáticos e incompetentes,
que permanecem 34% do tempo completamente inativos dentro das companhias
em que trabalham.
O estudo mostrou que a falta de profissionais qualificados (23%)
e a falta de gerência pró-ativa (21%) são os
principais fatores de não haver um constante crescimento
da produtividade nas empresas.
No Brasil, quando se trata de competitividade nos próximos
12 meses, a redução de custos e a melhoria da receita
aparecem em 23% das entrevistas, seguida pela elevação
da produtividade, em 22%, e por investimento em tecnologia, em 18%,
segundo estudo.
Apesar do resultado negativo, 74% dos brasileiros classificaram
a produtividade em suas companhias como muito boa ou boa, enquanto
nos países desenvolvidos essa taxa não alcança
números tão altos.
Mulher usa mais o cartão de loja
É nas mãos das mulheres com idade variando de 25 a
39 anos que se encontra a maioria dos cartões private label
– cartões de loja –, segundo uma pesquisa do
Ibope Inteligência, braço do instituto Ibope voltado
ao varejo. A pesquisa, realizada em 11 cidades brasileiras, ouviu
15 mil consumidores, dos quais 28% confirmaram possuírem
ao menos um cartão de loja. Ainda assim, a participação
desse tipo de cartão no mercado está distante do seu
potencial de abrangência, na avaliação da diretora-executiva
de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, Laure
Castelnau.
Para a executiva “há um potencial de crescimento grande
dos private labels entre os consumidores”, em especial, segundo
Laure, entre o público pertencente à classe social
de menor renda, classificada de classes ‘C’ e ‘D’.
O índice de adesão desse público aos cartões
de loja é, atualmente, de 27% (entre a classe C) e de 16%
(na classe D). Mas está em 35% nas classes ‘A’
e ‘B’.
Balança registra superávit
A balança comercial teve superávit de US$ 319 milhões
na segunda semana de abril, com exportações de US$
3,072 bilhões e importações de US$ 2,753 bilhões.
No mês, o superávit acumulado é de US$ 1,161
bilhão, e no ano, de US$ 3,998 bilhões, resultado
61,9% menor que o obtido no mesmo período de 2007.
Apesar da queda no valor acumulado no ano, o saldo das duas primeiras
semanas deste mês já superou o resultado de todo o
mês de março, que foi de US$ 1,012 bilhão.
A recuperação se deve principalmente à desaceleração
do ritmo de crescimento das importações, possivelmente
um reflexo da greve dos auditores fiscais, que tem provocado lentidão
na liberação de mercadorias nos portos e aeroportos.
Em relação a março, a média diária
das importações caiu 12,9%. Segundo o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
as principais retrações ocorreram com produtos siderúrgicos
(33,0%), produtos farmacêuticos (28,0%), combustíveis
e lubrificantes (21,6%), borracha e obras (17,8%), instrumentos
de ótica e precisão (16,1%), além de automóveis
e partes (14,0%).
Mas as importações ainda acumulam expansão
de 22,2% em relação a abril do ano passado. E o valor
acumulado no ano é 44,4% maior do que o do mesmo período
de 2007. |