Associação Comercial e Industrial de Limeira

17 a 23 de abril de 2008

Orçamento Doméstico

Faça as contas e economize no dia-a-dia

Pelo menos uma vez na vida, quase todo mundo se propôs a fazer um orçamento doméstico e prometeu a si mesmo que não iria fugir dos cortes traçados para economizar. O problema é que quase sempre não cumprimos o planejado. Mas o que dá errado? Por que fugimos do que está proposto? Segundo a professora de economia doméstica da Universidade Federal de Viçosa (MG), Ana Lídia Coutinho Galvão, nós esquecemos das pequenas despesas. São elas as vilãs de qualquer orçamento.
O gasto com o cafezinho, de apenas R$ 2 por dia, torna-se mais de R$ 700 por ano. O mesmo acontece com o chocolate, o chiclete, o dinheiro para o lanche da criança e as visitas às lojas de R$ 1,99. “As pessoas esquecem que várias coisas baratinhas no mês, quando somadas, dão um valor substancial. Se forem anualizadas então, nem se fala”, afirma Ana Lídia.
E isso não acontece só com as compras. Em casa, escolhemos uma geladeira preocupados com o gasto de energia, mas depois a deixamos com a porta aberta por vários minutos enquanto pensamos no que comer. Também é fácil de esquecer de apagar as luzes quando saímos de cada cômodo. “Nunca vi ninguém se enforcar financeiramente com as contas de financiamento do carro ou da casa ou mesmo por pagar aluguel. Essas despesas a gente não esquece. O que não contabilizamos são as pequenas coisas do dia-a-dia”, diz a professora.

TUDO NO PAPEL

Na hora de fazer o planejamento familiar é importante colocar tudo no papel para visualizar bem o peso de cada item no orçamento. Ana Lídia ensina a montar uma tabela simples, formada por três colunas. Na primeira devem constar todos os gastos, relacionados um a um, como financiamento do carro, gasolina, férias, dízimo etc. Não se esqueça dos sazonais, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA).
Na segunda coluna, entra a previsão de custo para cada um dos itens apresentados. A última parte da tabela é preenchida com o valor efetivamente gasto.
No final entram a renda familiar e o total de despesas efetivadas. Assim é possível saber quanto da renda é comprometida com cada item. É aí que aparece “o peso do cafezinho”. Se a conta ficar negativa é hora de repensar o que está errado e começar a cortar.

SAINDO DO SUFOCO

Ana Lídia dá várias dicas para as pessoas tentarem sair da situação de aperto financeiro. A primeira é envolver toda a família na proposta de criação de um orçamento doméstico. Não adianta o marido querer cortar a despesa de salão de cabeleireiro se a mulher não vai deixar de freqüentá-lo.
Outra sugestão é deixar cada membro da família responsável por uma parte dos gastos. “Sugiro que fique nas mãos dos adolescentes a tentativa de reduzir os gastos com telefone. Afinal, normalmente são eles os maiores usuários desse serviço. Ter esse controle é bom para aprenderem a planejar e também para terem noção de quanto desperdiçam.”
Outras dicas bastante conhecidas, mas valiosas, são listadas pela professora Shandra Carmen Sales de Aguiar, do Núcleo de Educação do Consumidor da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Faça a lista de compras do supermercado em casa, acrescente apenas os itens esporádicos e não fuja dela. Também não vá às compras com fome. Vários estudos já provaram que as pessoas compram mais quando estão famintas”, diz.
Com os filhos, é importante decidir se terão mesada, se vão levar lanche de casa ou comprarão na escola. “Comer na cantina todo dia custa muito”, afirma Shandra.

TRANSPORTE E LAZER

Além disso, dá para reduzir o custo de levar e trazer as crianças todo dia, explica a professora, se os pais fizerem grupos de carona à escola, com escalas, para cada dia um levar todo o grupo de alunos do bairro ou do condomínio.
Com transporte, aliás, dá para economizar bastante se a família não esquecer de fazer a manutenção adequada dos automóveis. “Alinhar a direção e balancear as rodas são medidas que ajudam a conservar os pneus, por exemplo. A manutenção sempre é mais barata do que o conserto”, afirma o mecânico Silvio Guerra, da oficina Santa Inês.
Na hora do lazer, a dica principal é procurar opções gratuitas ou mais em conta que as tradicionais e fugir de centros de consumo como os shoppings. “Sempre existe a possibilidade de ir a parques. Leve seus filhos para andar de bicicleta, correr”, recomenda a professora Ana Lídia, da Universidade de Viçosa.
No dia-a-dia, o importante é não descuidar da casa para não gastar com reformas. E evite ao máximo fazer financiamentos ou tomar empréstimos. Os juros reais no Brasil estão entre os mais altos do mundo.