A melhora na perspectiva do emprego aumentou o otimismo dos consumidores
brasileiros no mês passado, segundo o Índice Nacional
de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado esta semana pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O indicador, calculado a cada três meses com base em resultados
da pesquisa CNI/Ibope, atingiu 109,1 pontos em março, um
recorde para o mês na série da CNI, iniciada em 1999.
O resultado foi o terceiro melhor já registrado, considerando
os demais trimestres. O dado de março é 3,1% superior
ao apurado em igual mês do ano passado e 1,1% maior que
o de dezembro de 2007.
A CNI atribuiu o avanço do índice principalmente
à redução do medo de perda do emprego, que
atingiu no mês passado o menor índice da série.
Segundo a pesquisa, 43% dos entrevistados afirmaram não
temer o desemprego. “O forte crescimento do mercado de trabalho,
sobretudo formal, é responsável por essa percepção”,
informa o boletim divulgado pela entidade. A pesquisa revelou
também otimismo em relação à evolução
da renda, com 37% dos consumidores apostando em melhoria dos ganhos
mensais.
Por outro lado, os entrevistados se mostraram mais preocupados
em relação ao comportamento dos preços a
curto prazo. Entre as pessoas ouvidas para a pesquisa, 55% disseram
acreditar que a inflação subirá nos próximos
seis meses. “Possivelmente, essa percepção
decorre da alta da inflação neste início
de ano – sobretudo no grupo de alimentos e bebidas, itens
pressionados por reajustes nos preços internacionais”,
observa a CNI.
CONSUMO
A maior parte dos consumidores disse que pretende manter o nível
de consumo nos próximos três meses. Essa foi a resposta
dada por 49% dos entrevistados, enquanto 24% pretendem comprar
mais e 27%, consumir menos no período. De acordo com a
CNI, a resposta mostra estabilidade em comparação
com a pesquisa de dezembro.
O forte crescimento do consumo está no centro das preocupações
do Banco Central (BC). A autoridade monetária considera
que as vendas em alta são fonte de pressão sobre
a inflação, porque o crescimento da demanda não
tem sido acompanhado por aumento proporcional dos investimentos
para ampliar a produção industrial. O Comitê
de Política Monetária (Copom) discute a taxa básica
de juros do País (Selic) em reunião marcada para
os próximos dias 15 e 16.