Associação Comercial e Industrial de Limeira

10 a 16 de abril de 2008

Economia em Notas

Supersimples: empresas continuam financiando o estado
Após 34 resoluções do Comitê Gestor que está regulamentando o Simples Nacional, em vigor há oito meses, o regime de arrecadação por competência continua sendo um dos problemas mais graves do Simples Nacional.
Quem constata é o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo, José Maria Chapina Alcazar, decepcionado com as quatro últimas determinações do CGSN, recém-divulgadas. “Nenhuma delas instituiu o regime de caixa, importante mecanismo previsto no artigo 18 da própria Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e que é adotado na tributação pelo Lucro Presumido”, lamenta. Em conseqüência disso, as pequenas e micro empresas continuam tendo de pagar seus impostos antes mesmo de receber pelas vendas a prazo.
De acordo com Chapina Alcazar, insistir no regime de competência, que determina o recolhimento de impostos e contribuições com base no mês de emissão e não quando a fatura é paga, nada mais é do que postergar um direito já conquistado pelos contribuintes. “Resultado: as MPEs permanecem em sua sina de financiar eternamente o Estado”, acrescenta.

Poupança capta R$ 3,65 bilhões no trimestre
A caderneta de poupança captou R$ 3,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano. A captação é medida pela diferença entre depósitos e retiradas de recursos. Foi o melhor resultado para este período desde 1997, segundo revelou o Banco Central.
Sobre igual período do ano passado, o crescimento foi de 24%. Em 2007, a poupança bateu todos os recordes ao captar R$ 33 bilhões. Somente em março, os depósitos na mais tradicional modalidade de investimentos do país superaram as retiradas de recursos em R 1,08 bilhão. Isso representou, porém, queda frente a março do ano passado, quando a poupança captou R 1,54 bilhão.
No mês passado, os depósitos em caderneta de poupança somaram R$ 97,89 bilhões, enquanto as retiradas totalizaram R$ 96,80 bilhões. O saldo da poupança no fim do período, isto é, o volume de recursos aplicado na modalidade de investimentos, somou R$ 242 bilhões, informou o BC. No fim de 2007, o saldo estava em R$ 235,2 bilhões.

Balança ensaia recuperação
A balança comercial brasileira teve superávit de US$ 842 milhões na primeira semana de abril, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O valor representa recuperação do saldo, que foi de apenas US$ 1,01 bilhão em março.
A média diária foi 316% maior que a da primeira semana de março, mas superou em apenas 0,8% o resultado de igual período do ano passado. No acumulado do ano, o saldo comercial atinge US$ 3,68 bilhões, com média diária 61% inferior à apurada em intervalo semelhante de 2007.
Na semana passada, as importações somaram US$ 1,79 bilhão e as exportações, um total de US$ 2,63 bilhões. Pela média diária, as vendas subiram 5,8% em relação a abril de 2007 e 4,4% ante março.
O superávit da semana melhorou principalmente por causa das importações mais fracas. As compras externas aumentaram apenas 8,4% em relação à média diária de abril de 2007 e registraram queda de 22,8% ante março.
Embora o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, tenha afirmado que a greve dos auditores fiscais, iniciada dia 18 de março, não prejudica a balança comercial, os números de abril já podem estar refletindo o represamento das licenças de importação.

Juro pode ter alta maior que a esperada
O mercado financeiro passou a considerar que a alta dos juros neste ano será maior do que vinha prevendo até a semana passada. De acordo com o Relatório Focus, levantamento semanal feito pelo Banco Central (BC) para apurar as expectativas dos analistas em relação aos principais indicadores econômicos, a taxa básica (Selic) deve subir 1,25 ponto percentual neste ano, dos atuais 11,25% ao ano para 12,5% até outubro.
Até a semana passada, a expectativa dos analistas era de que a Selic teria elevação de 0,75 ponto em 2008. A alta deve começar na reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) da próxima semana. Pelas contas do mercado, o comitê deve aumentar a taxa gradativamente, em doses de 0,25 ponto. As altas devem acontecer em abril, junho, julho, setembro e outubro.

O choque da qualificação no caixa das empresas
Os gastos das empresas privadas com o pagamento de executivos e pessoal altamente qualificado cresceram 66% no Brasil, entre abril de 2007 e 2008, segundo a pesquisa International Business Report da consultoria Grant Thornton International. Participaram 100 empresas de São Paulo, 25 no Rio de Janeiro e 25 em Salvador.
No País, segundo Wanderlei Costa Ferreira, sócio da Terco Grant Thornton e representante da consultoria no Brasil, a falta de funcionários altamente capacitados é um dos motivos do aumento nos custos.
Entre os principais setores com aumento nas despesas de folha estão engenharia, tecnologia da informação, diversas atividades industriais, consultorias e auditorias. “As empresas têm que treinar e capacitar os executivos, mas principalmente mantê-los”, diz.
Entre as 150 empresas que participaram da pesquisa, 64% informaram que trabalham para reter os funcionários. Para manter o colaborador, entretanto, é preciso oferecer uma série de benefícios diferenciados. Além do pagamento fixo, o mercado oferece, entre outros, remuneração variável e ambiente de trabalho competitivo e leal, observa Ferreira.

(Fonte: Diário do Comércio)