Associação Comercial e Industrial de Limeira

10 a16 de abril de 2008

Educação Ambiental

Pesquisador limeirense leva técnica de cultivo de brotos de batata à escola

Criador da tecnologia que reduz custos na produção de batata organiza projeto em que os próprios alunos tornam-se agricultores

cinthia lagranha
O pesquisador José Alberto Caram, a engenheira agrônoma e ex-secretária de Agricultura de Caruaru, Monica Cavalcanti (em pé), a diretora da Escola Jamile Caram de Souza Dias, Silvana Melo, e a vice-diretora Maria Cristina Bicudo

Utilizar o conhecimento e a tecnologia em prol da Educação é a proposta do engenheiro agrônomo limeirense José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Ele é o criador da técnica que aproveita os brotos de batata a fim de produzir batatas-semente, o que reduz custos no plantio dos batatais. Em parceria com a CEIEF Professora Jamile Caram de Souza Dias, que leva o nome de sua mãe, o pesquisador está organizando um projeto que leva o cultivo de brotos de batata à escola, despertando a consciência ecológica nos alunos que poderão acompanhar o plantio no próprio quintal da instituição. “É uma oportunidade para que os estudantes dêem mais valor ao seu alimento”, disse Caram.
A escola possui 400 alunos, com idades entre 4 meses e 11 anos. Segundo a diretora Silvana Alves Melo, o processo será dividido em ciclos de 80 dias e uma professora bióloga orientará os estudantes, que serão responsáveis pelas plantas, desde o plantio até a colheita.

TÉCNICA

Nos plantios convencionais, o produtor importa a batata-semente e faz uma limpeza antes de plantá-la, retirando e jogando fora os brotos que tiverem surgido. O estudo desenvolvido por Caram comprova que, se cultivados, os brotos de batata que até então eram considerados resíduos da produção, geram novas batatas-sementes, também chamadas de minitubérculos, o que contribui para a redução dos custos de produção e economia na importação de batatas-semente.
“Cada broto dá origem, em média, a três minitubérculos, e cada um, por sua vez, dá origem a uma planta. Essa técnica oferece a possibilidade de o bataticultor tirar de sua própria produção as batatas-semente necessárias para o cultivo do batatal, fazendo com que não precise importar e também possa plantar o ano todo”, comentou Caram. Além disso, a tecnologia tem outra vantagem: a redução dos riscos de viroses nos batatais, já que diferentemente dos minitubérculos importados, os brotos são livres de vírus e por isto produzem batatas-semente de alta sanidade.
Atualmente os produtores brasileiros gastam cerca de US$ 5 milhões para importar os minitubérculos de países como Canadá e Holanda. Segundo o pesquisador, este valor pode diminuir ainda mais se a técnica for disseminada entre os bataticultores. Há casos, inclusive em Limeira, de produtores que já aderiram aos brotos de batata e que já os vêem como um negócio lucrativo. “A pesquisa em torno deste tema proporcionou aos produtores baratear custos e ser mais competitivos, o que comprova a importância de o País investir ainda mais em ciência e tecnologia”, ressaltou.
No agreste nordestino a técnica já ganha espaço e auxilia na sobrevivência de diversas famílias que têm na produção da batata seu sustento. Em Caruaru, no Estado de Pernambuco, onde a técnica é disseminada há oito anos por meio de parceria com o IAC, a batata-semente plantada tem mais de 10 gerações, ou seja, há 10 anos não se importa batata-semente para a renovação das plantações. Segundo Caram, o local possui potencial porque o plantio é feito apenas uma vez por ano devido a seca que assola a região, fazendo com que o solo fique livre da vegetação que é hospedeira de insetos que transmitem as viroses. “Alguns pesquisadores criam tecnologias que trazem poucos efeitos práticos. A técnica do broto de batata é diferente, pois traz resultados eficazes e é acessível ao pequeno agricultor”, comentou a ex-secretária de Agricultura de Caruaru, Mônica de Holanda Cavalcanti.

PROJETO

Para desenvolver o projeto de plantio dos brotos de batata, a CEIEF Professora Jamile Caram de Souza Dias precisa da ajuda de empresários a fim de montar toda a estutura necessária para o cultivo dos minitubérculos. Além de vasos, bancadas e outros materiais que serão utilizados pelos alunos, a escola também precisa de um telado, local em que as batatas-semente devem ser cultivadas. “Esta iniciativa vai servir de modelo para que outras instituições promovam ações como essas”, ressaltou Dias.
Os interessados em ajudar, podem entrar em contato com a escola pelos telefones 3445-7736 ou 3451-6590.