Utilizar o conhecimento e a tecnologia em prol
da Educação é a proposta do engenheiro agrônomo
limeirense José Alberto Caram de Souza Dias, do Instituto
Agronômico de Campinas (IAC). Ele é o criador da
técnica que aproveita os brotos de batata a fim de produzir
batatas-semente, o que reduz custos no plantio dos batatais. Em
parceria com a CEIEF Professora Jamile Caram de Souza Dias, que
leva o nome de sua mãe, o pesquisador está organizando
um projeto que leva o cultivo de brotos de batata à escola,
despertando a consciência ecológica nos alunos que
poderão acompanhar o plantio no próprio quintal
da instituição. “É uma oportunidade
para que os estudantes dêem mais valor ao seu alimento”,
disse Caram.
A escola possui 400 alunos, com idades entre 4 meses e 11 anos.
Segundo a diretora Silvana Alves Melo, o processo será
dividido em ciclos de 80 dias e uma professora bióloga
orientará os estudantes, que serão responsáveis
pelas plantas, desde o plantio até a colheita.
TÉCNICA
Nos plantios convencionais, o produtor importa a batata-semente
e faz uma limpeza antes de plantá-la, retirando e jogando
fora os brotos que tiverem surgido. O estudo desenvolvido por
Caram comprova que, se cultivados, os brotos de batata que até
então eram considerados resíduos da produção,
geram novas batatas-sementes, também chamadas de minitubérculos,
o que contribui para a redução dos custos de produção
e economia na importação de batatas-semente.
“Cada broto dá origem, em média, a três
minitubérculos, e cada um, por sua vez, dá origem
a uma planta. Essa técnica oferece a possibilidade de o
bataticultor tirar de sua própria produção
as batatas-semente necessárias para o cultivo do batatal,
fazendo com que não precise importar e também possa
plantar o ano todo”, comentou Caram. Além disso,
a tecnologia tem outra vantagem: a redução dos riscos
de viroses nos batatais, já que diferentemente dos minitubérculos
importados, os brotos são livres de vírus e por
isto produzem batatas-semente de alta sanidade.
Atualmente os produtores brasileiros gastam cerca de US$ 5 milhões
para importar os minitubérculos de países como Canadá
e Holanda. Segundo o pesquisador, este valor pode diminuir ainda
mais se a técnica for disseminada entre os bataticultores.
Há casos, inclusive em Limeira, de produtores que já
aderiram aos brotos de batata e que já os vêem como
um negócio lucrativo. “A pesquisa em torno deste
tema proporcionou aos produtores baratear custos e ser mais competitivos,
o que comprova a importância de o País investir ainda
mais em ciência e tecnologia”, ressaltou.
No agreste nordestino a técnica já ganha espaço
e auxilia na sobrevivência de diversas famílias que
têm na produção da batata seu sustento. Em
Caruaru, no Estado de Pernambuco, onde a técnica é
disseminada há oito anos por meio de parceria com o IAC,
a batata-semente plantada tem mais de 10 gerações,
ou seja, há 10 anos não se importa batata-semente
para a renovação das plantações. Segundo
Caram, o local possui potencial porque o plantio é feito
apenas uma vez por ano devido a seca que assola a região,
fazendo com que o solo fique livre da vegetação
que é hospedeira de insetos que transmitem as viroses.
“Alguns pesquisadores criam tecnologias que trazem poucos
efeitos práticos. A técnica do broto de batata é
diferente, pois traz resultados eficazes e é acessível
ao pequeno agricultor”, comentou a ex-secretária
de Agricultura de Caruaru, Mônica de Holanda Cavalcanti.
PROJETO
Para desenvolver o projeto de plantio dos brotos de batata, a
CEIEF Professora Jamile Caram de Souza Dias precisa da ajuda de
empresários a fim de montar toda a estutura necessária
para o cultivo dos minitubérculos. Além de vasos,
bancadas e outros materiais que serão utilizados pelos
alunos, a escola também precisa de um telado, local em
que as batatas-semente devem ser cultivadas. “Esta iniciativa
vai servir de modelo para que outras instituições
promovam ações como essas”, ressaltou Dias.
Os interessados em ajudar, podem entrar em contato com a escola
pelos telefones 3445-7736 ou 3451-6590.