Os empresários têm um bom motivo para ficarem otimistas.
De acordo com pesquisa elaborada pelas consultorias Ipsos e Cetelem,
o brasileiro pretende consumir mais em supermercados e lojas de
departamento neste ano. Segundo o estudo, os consumidores estão
otimistas com a situação econômica do País
e pretendem adquirir bens de maior valor agregado como móveis,
eletrodomésticos, eletroeletrônicos e carros.
O resultado obtido está relacionado com a melhoria do padrão
de vida das famílias menos abastadas da pirâmide
social. A classe C, que possui renda familiar média de
R$ 1.062 ao mês, saltou de 36%, em 2006, para 46% no ano
passado, chegando a 86 milhões de pessoas. Já as
classes D/E, com renda familiar média de R$ 580, apresentaram
queda de 46% para 39% da população, correspondendo
a 73 milhões de pessoas em 2007.
Outro fator positivo foi a expansão de recursos disponíveis
nas classes C, D e E. A pesquisa mostra que houve incremento da
“renda não gasta” no final do mês. Em
2005, as classes D/E estavam no negativo em R$ 17, enquanto no
mesmo período de 2006 houve saldo positivo de R$ 2. Neste
ano, o dinheiro sobrou mais na conta desse público, subindo
para R$ 22. Já para a classe C, as sobras caíram
de R$ 191 para R$ 147. Nas classes A e B houve redução
de R$ 518 para R$ 506.
A pretensão de compra para 2008 continua sendo por móveis
(37%) e eletrodomésticos (36%). A intenção
de adquirir uma propriedade também continua em trajetória
de alta, saindo de 10% para 11% em 2007 e para 13% neste ano.
Cerca de 24% dos entrevistados pretendem comprar celular e 20%
indicaram querer adquirir um computador. A pesquisa Ipsos Cetelem
ouviu 1,5 mil pessoas no País em dezembro do ano passado.
SONHO
O consumidor quer trocar a TV antiga por um modelo com mais tecnologia.
Segundo uma pesquisa do Instituto QualiBest, feita com 3.163 internautas,
cerca de 59% das pessoas têm a intenção de
comprar um novo televisor e, desses, 40% comprariam o tipo LCD
nos próximos 12 meses. O objetivo é gastar entre
R$ 700 e R$ 2 mil na aquisição. Para 51% deles,
a sala de estar é o local escolhido para o novo aparelho.
Atualmente, 35% dos consumidores possuem duas TVs compradas há
um ou dois anos. Já 30% da base têm três televisores,
alguns deles adquiridos há um ano ou menos, e 19% possuem
apenas um.
O setor supermercadista também tem tudo para crescer em
2008. Em fevereiro, as vendas tiveram crescimento real de 8,63%
em comparação com igual período do ano passado,
segundo informações da Associação
Brasileira de Supermercados (Abras).
Para o presidente da Abras, Sussumu Honda, o ritmo forte de vendas
(alta de 8,31% no primeiro bimestre sobre igual período
de 2007), é mantido principalmente pela expansão
do consumo das famílias, que, por sua vez, é favorecido
pelo aumento do nível de emprego formal. Ele citou também
a migração das compras para produtos de maior valor
agregado. “Com o aumento da renda, as famílias passaram
a adquirir produtos que antes não faziam parte do cardápio
do dia-a-dia, como iogurte, sorvete e requeijão”,
afirmou.
ESTRATÉGIAS
De acordo com o consultor e diretor da True Consultoria, Wagner
Campos, vários fatores têm influenciado para o aumento
do consumo de bens duráveis com alto valor agregado. A
economia estável, valorização do real, facilidade
de obter créditos seja de bancos, financeiras ou dos próprios
estabelecimentos comerciais colaboraram para esta previsão
de aumento de consumo, bem como a entrada de concorrentes importados
que além de terem trazido tecnologia compatível
ou até melhor, trouxeram excelentes custos.
E como o empresário pode aproveitar este momento positivo
para incrementar suas vendas? Para o consultor, três dicas
básicas são fundamentais. “Investir no layout
dos estabelecimentos, melhorando o acesso interno e destacando
o local externamente, treinar seus funcionários para um
melhor atendimento e pós-vendas, além de divulgar
mais seus estabelecimentos através de mídias como
rádio, jornais e outdoors, que foquem seu público-alvo”,
disse.
Mesmo os empresários que não trabalham com itens
de maior valor agregado, principalmente os que possuem pequenos
comércios, podem aproveitar a onda de aumento de consumo.
Campos atenta para o fato de que se há recursos financeiros
para os consumidores, há possibilidade de vendas para todos
os segmentos. Segundo o consultor, os pequenos comércios
ficam aguardando apenas as datas comemorativas específicas
como Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados,
para desenvolverem qualquer estratégia de vendas. Contudo,
de acordo com ele, as estratégias e campanhas devem ser
constantes e criativas, já que é preciso conquistar
novos clientes e além de manter os antigos, aumentar a
venda para os mesmos bem como reduzir o tempo de retorno para
uma nova compra. “Quando se namora alguém, ficamos
tentando ver esta pessoa o tempo todo, e fazemos de tudo para
encantar, manter e poder ver o quanto antes. Com o cliente é
a mesma coisa. Não é igual “ficar”,
que apenas se encontra uma vez e depois acabou. É preciso
namorar sério, noivar e casar. É necessário
obter o máximo de fidelidade possível e interesse
em retornar ao estabelecimento”, comentou.