Associação Comercial e Industrial de Limeira
03 a 09 de abril de 2008

Bom Momento

Brasileiro quer agregar mais valor ao que consome

Empresários podem aproveitar cenário positivo de aumento de consumo para incrementar ainda mais as vendas

cinthia lagranha
Pesquisa mostra que brasileiro quer trocar sua televisão por aparelho com maior tecnologia nos próximos 12 meses

Os empresários têm um bom motivo para ficarem otimistas. De acordo com pesquisa elaborada pelas consultorias Ipsos e Cetelem, o brasileiro pretende consumir mais em supermercados e lojas de departamento neste ano. Segundo o estudo, os consumidores estão otimistas com a situação econômica do País e pretendem adquirir bens de maior valor agregado como móveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e carros.
O resultado obtido está relacionado com a melhoria do padrão de vida das famílias menos abastadas da pirâmide social. A classe C, que possui renda familiar média de R$ 1.062 ao mês, saltou de 36%, em 2006, para 46% no ano passado, chegando a 86 milhões de pessoas. Já as classes D/E, com renda familiar média de R$ 580, apresentaram queda de 46% para 39% da população, correspondendo a 73 milhões de pessoas em 2007.
Outro fator positivo foi a expansão de recursos disponíveis nas classes C, D e E. A pesquisa mostra que houve incremento da “renda não gasta” no final do mês. Em 2005, as classes D/E estavam no negativo em R$ 17, enquanto no mesmo período de 2006 houve saldo positivo de R$ 2. Neste ano, o dinheiro sobrou mais na conta desse público, subindo para R$ 22. Já para a classe C, as sobras caíram de R$ 191 para R$ 147. Nas classes A e B houve redução de R$ 518 para R$ 506.
A pretensão de compra para 2008 continua sendo por móveis (37%) e eletrodomésticos (36%). A intenção de adquirir uma propriedade também continua em trajetória de alta, saindo de 10% para 11% em 2007 e para 13% neste ano. Cerca de 24% dos entrevistados pretendem comprar celular e 20% indicaram querer adquirir um computador. A pesquisa Ipsos Cetelem ouviu 1,5 mil pessoas no País em dezembro do ano passado.

SONHO

O consumidor quer trocar a TV antiga por um modelo com mais tecnologia. Segundo uma pesquisa do Instituto QualiBest, feita com 3.163 internautas, cerca de 59% das pessoas têm a intenção de comprar um novo televisor e, desses, 40% comprariam o tipo LCD nos próximos 12 meses. O objetivo é gastar entre R$ 700 e R$ 2 mil na aquisição. Para 51% deles, a sala de estar é o local escolhido para o novo aparelho.
Atualmente, 35% dos consumidores possuem duas TVs compradas há um ou dois anos. Já 30% da base têm três televisores, alguns deles adquiridos há um ano ou menos, e 19% possuem apenas um.
O setor supermercadista também tem tudo para crescer em 2008. Em fevereiro, as vendas tiveram crescimento real de 8,63% em comparação com igual período do ano passado, segundo informações da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Para o presidente da Abras, Sussumu Honda, o ritmo forte de vendas (alta de 8,31% no primeiro bimestre sobre igual período de 2007), é mantido principalmente pela expansão do consumo das famílias, que, por sua vez, é favorecido pelo aumento do nível de emprego formal. Ele citou também a migração das compras para produtos de maior valor agregado. “Com o aumento da renda, as famílias passaram a adquirir produtos que antes não faziam parte do cardápio do dia-a-dia, como iogurte, sorvete e requeijão”, afirmou.

ESTRATÉGIAS

De acordo com o consultor e diretor da True Consultoria, Wagner Campos, vários fatores têm influenciado para o aumento do consumo de bens duráveis com alto valor agregado. A economia estável, valorização do real, facilidade de obter créditos seja de bancos, financeiras ou dos próprios estabelecimentos comerciais colaboraram para esta previsão de aumento de consumo, bem como a entrada de concorrentes importados que além de terem trazido tecnologia compatível ou até melhor, trouxeram excelentes custos.
E como o empresário pode aproveitar este momento positivo para incrementar suas vendas? Para o consultor, três dicas básicas são fundamentais. “Investir no layout dos estabelecimentos, melhorando o acesso interno e destacando o local externamente, treinar seus funcionários para um melhor atendimento e pós-vendas, além de divulgar mais seus estabelecimentos através de mídias como rádio, jornais e outdoors, que foquem seu público-alvo”, disse.
Mesmo os empresários que não trabalham com itens de maior valor agregado, principalmente os que possuem pequenos comércios, podem aproveitar a onda de aumento de consumo. Campos atenta para o fato de que se há recursos financeiros para os consumidores, há possibilidade de vendas para todos os segmentos. Segundo o consultor, os pequenos comércios ficam aguardando apenas as datas comemorativas específicas como Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados, para desenvolverem qualquer estratégia de vendas. Contudo, de acordo com ele, as estratégias e campanhas devem ser constantes e criativas, já que é preciso conquistar novos clientes e além de manter os antigos, aumentar a venda para os mesmos bem como reduzir o tempo de retorno para uma nova compra. “Quando se namora alguém, ficamos tentando ver esta pessoa o tempo todo, e fazemos de tudo para encantar, manter e poder ver o quanto antes. Com o cliente é a mesma coisa. Não é igual “ficar”, que apenas se encontra uma vez e depois acabou. É preciso namorar sério, noivar e casar. É necessário obter o máximo de fidelidade possível e interesse em retornar ao estabelecimento”, comentou.

Incremente as vendas

O consultor Wagner Campos dá algumas dicas para os empresários aproveitarem o bom momento de aumento do consumo

  1. Sair da rotina e criar novas ações promocionais;
  2. Ser mais criativo;
  3. Ser menos reativo e mais proativo (não esperar o cliente vir e sim ir até o cliente, não esperar aumentar o consumo e sim buscar o aumento de consumo);
  4. Investir mais em publicidade (as mais simples e baratas podem ser os melhores investimentos, dependendo do público-alvo);
  5. Investir mais em treinamento (vendas, atendimento, telemarketing, inventário);
  6. Realizar um planejamento estratégico e de marketing para 2008, definindo metas, previsões de crescimento, lançamentos, campanhas;
  7. Correr riscos calculados, acreditar nas projeções, investir para obtê-las e se necessário, realizar ações corretivas durante o desenvolvimento de suas estratégias caso não corram de acordo com o planejado.