Associação Comercial e Industrial de Limeira

03 a 09 de abril de 2008

Economia em Notas

Confiança bate recorde
Impulsionado pelo bom momento da economia e pelo aumento na intenção de compras para os próximos meses, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em março, com alta de 3,5% ante fevereiro. No mês passado, a taxa havia registrado queda de 0,4% em relação a janeiro. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou o indicador, o nível de confiança do consumidor em março foi o maior da série histórica, iniciada em setembro de 2005.
Para a FGV, o apetite por compras do consumidor reflete a crescente demanda no mercado interno e a atual boa oferta de crédito. Mas o resultado do ICC, um exemplo de que o brasileiro está comprando como nunca e pretende comprar mais, não pode ser usado como sinal de um futuro “choque de preços” na inflação, na avaliação de técnicos da Fundação.

Inflação em alta pode elevar taxa de juros
O Banco Central (BC) elevou sua expectativa de inflação de 4,3% para 4,6% em 2008 e intensificou a ameaça de elevar a taxa de juros para conter o aquecimento da economia e as pressões inflacionárias. Pela primeira vez desde 2005, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) supera o centro da meta de inflação, que é de 4,5%, levando a cúpula do BC a sugerir que está próxima de seguir o caminho de outros bancos centrais no mundo que subiram as taxas de juros.
O diretor de Política Econômica da instituição, Mario Mesquita, alertou que bancos centrais devem atuar de forma preventiva para que a inflação seja mantida dentro da meta.
O Relatório de Inflação do primeiro trimestre, divulgado esta semana, voltou a citar “o persistente descompasso entre o ritmo de expansão da demanda interna e o da oferta” como o principal fator de risco para a inflação. Embora reconheça o cenário favorável à expansão dos investimentos, o BC argumenta que o ritmo de maturação desses investimentos (além do crescimento das importações) ainda não foi capaz de contrabalançar o alta do consumo, o que se manifesta nos elevados níveis de utilização da capacidade instalada da indústria, a começar pelo setor de bens de capital, em que chega a 88,8%.

Anúncio de emprego já não pode exigir experiência superior a seis meses
Já está em vigor a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proíbe as empresas de exigir de candidato a emprego a comprovação de experiência superior a seis meses no mesmo tipo de atividade prevista na vaga disputada.
A proibição foi inserida na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por meio da Lei 11.644/08. O principal objetivo, segundo a assessoria do Ministério do Trabalho, é tornar o mercado mais acessível ao jovem brasileiro, ampliando suas oportunidades profissionais.

Ipea prevê desaceleração do PIB em 2008
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê desaceleração no crescimento da economia brasileira neste ano. Depois de avançar 5,4% no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer entre 4,2% e 5,2% em 2008. O “ponto médio” da projeção é 4,7% e leva em conta desaceleração da economia americana e global, além de impacto negativo maior do setor externo para o avanço do Brasil.
O cenário do Ipea considera que a economia americana vai desacelerar e crescer apenas 0,5% neste ano, gerando um desaquecimento da economia mundial, que avançaria 3,5% em 2008. Além disso, a contribuição da demanda interna para o “ponto médio” de 4,7% será de 7,3 pontos percentuais enquanto o setor externo geraria contribuição negativa de 2,6 pontos percentuais.
O Ipea afirma que o desempenho da economia brasileira dependerá da evolução da crise americana e um “possível excesso de demanda sobre a oferta”. Uma recessão americana afetaria o Brasil com a queda da atividade mundial, redução da demanda pelas exportações do País, e aversão global ao risco, o que inverteria o fluxo de capitais e geraria uma desvalorização. O texto também alerta para os efeitos do forte ritmo da demanda interna.

Consumo continuará em alta, aponta CNI
Na esteira das previsões do Banco Central e dos analistas de mercado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou ontem a projeção de inflação medida pelo IPCA em 2008, de 4,1% para 4,7%. No Informe Conjuntural do primeiro trimestre, a CNI afirma que o fato de o crescimento da economia estar ancorado na maior expansão do consumo das famílias dos últimos 11 anos traz incertezas quanto à trajetória futura da inflação. A entidade revisou de 6,2% para 7,5% a previsão de crescimento dos gastos dos consumidores. Mesmo com os números de inflação revisados, o Informe Conjuntural afirma que não há sinais de disseminação do aumento de preços.
Apesar de o consumo das famílias ganhar uma participação maior na composição no Produto Interno Bruto (PIB), a CNI manteve em 5% a sua estimativa de expansão da economia para este ano. Isso porque elevou para 2,3 pontos percentuais negativos a previsão de participação do setor externo na formação do PIB.
A CNI subiu a estimativa de exportações de US$ 175 bilhões para US$ 190 bilhões e das importações, de US$ 140 bilhões para US$ 165 bilhões. A previsão de superávit comercial foi mantida em US$ 25 bilhões.

(Fonte: Diário do Comércio)