| A multiplicidade dos órgãos de
comunicação traz o consumidor informado sobre o volume
e a natureza dos bens que alimentam o mercado. Se isso não
é novidade, tem de ser considerado o crescimento do volume
dos produtos oferecidos e as facilidades concedidas ao universo
adquirente, cada vez mais tentado a levar para casa ou para o seu
negócio aquilo que é exposto e oferecido através
de jornais, rádio e televisão. Há muitos e
muitos anos o menino se encantava com o cavalinho da vitrina lá
da Rua do Ouvidor e tanto azucrinava os pais que estes acabavam
por dar ao garoto o bendito cavalinho, só o fazendo para
se livrarem da insistência do menor que vencia pelo cansaço.
Atualmente os “cavalinhos” são centenas e a oferta
muito mais agressiva e convincente. Note-se que também não
é o mundo infantil o que mais sente-se atraído pelas
ofertas, mas também homens e mulheres bem crescidos e integrados
nesses batalhões que diariamente freqüentam as lojas
isoladas e as que se instalam nos “shoppings” e mais
ainda as fontes de compras representados por estabelecimentos, os
mais variados possíveis. Compram-se e o fazem pessoas isoladas
e as famílias. Todavia, é preciso comprar quando as
contas bancárias e dinheiro guardado no baú derem
para saldar os compromissos assumidos. Quando isso não acontece
crescem as filas à frente dos guichês do SCPC, onde
não raro são desfiladas queixas por parte dos que
constituíram dívidas sem a necessária consulta
ao dinheiro do baú ou daquele depositado na Caixa. Estes
fatos são diários e revelam o descuido do comprador
na hora de comprar, não tendo o cuidado de constatar se havia
o recurso necessário para cobrir a dívida assumida.
Não estamos apenas conjeturando, criando situações
imaginárias, porém exibindo o retrato nítido
de uma situação verdadeira. Juízo, comedimento
é o que jamais devem deixar de acompanhar vendedores e clientes,
seja qual for o volume da operação.
O comércio precisa vendar, mas precisa também que
exista uma garantia na hora de receber. Todo o cuidado é
pouco, não se vai à fonte sem saber se ela tem água
suficiente para mitigar nossa sede, tanto quanto é necessário
constatar se nossa sede precisa de tanta água. O bom senso
é o melhor companheiro de tanta gente.
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