| Ocupam-se todos os meios de comunicação,
principalmente os canais de televisão com o precaríssimo
estado de conservação das rodovias brasileiras, não
só as do sul e sudeste, mas também as que servem o
nordeste e norte do País. Há casos em que o abandono
dessas rodovias chega a ser lastimável, tornando-se verdadeiro
perigo para quem precisa transitar por elas. Ainda no final da semana
passada os jornais de tv exibiram fotos de estradas e pontes que
são verdadeiros pontos de constantes acidentes fatais, além
dos enormes prejuízos causados aos proprietários de
veículos de passeio e de carga.
Não se sabe – porque ninguém consegue explicar
– a razão dos governos federal e estaduais não
darem a devida atenção a um problema que, por sua
importância, aflige aos que se utilizam do transporte rodoviário,
hoje um caos nacional, o que ninguém pode contestar.
Anos atrás, tomando-se Limeira como exemplo, as estradas
de ferro cumpriam com exatidão e sucesso a missão
que lhes cabia. Veja-se que a cidade era ligada à capital
do Estado por quatorze trens diários, e, igual número
por aqui passava para o interior, chegando até ao extremo
norte paulista. Os trens de passageiros eram limpos, rápidos,
seguros e confortáveis, possuindo carros restaurante e serviço
postal. Correspondência e jornais aqui chegavam às
primeiras horas do dia. Além das composições
de madeira especial corriam os trens de aço. Um deles, o
especial, tinha ar condicionado, música, tapetes, gravuras
e ninguém viajava em pé, pois os bilhetes só
eram vendidos em número exatamente igual ao das poltronas.
Lembre-se que a pontualidade era questão sagrada, tanto que
pelo “relógio da estação” os demais
se acertavam. Algumas composições traziam o carro
“pulman” com poltronas estofadas e giratórias,
como também os “reservados” para seis lugares
e mordomia. Quanto à segurança basta dizer que nunca
foi registrado um acidente, o que está bem longe do que agora
acontece com as nossas estradas. Não se pode deixar de citar
que no transporte ferroviário nunca existiu o pedágio.
Há ainda algo a acrescentar quanto ao transporte de carga
que entrega as mercadorias com pontualidade, na estação
e destas, para quem preferisse, as encomendas chegavam ao seu destino
por caminhões da CPT e CGT, que trabalhavam em conexão
com a rede ferroviária. Dadas estas considerações
está incontestável provado que o transporte ferroviário
é o melhor, mais seguro, mais rápido e muito menos
dispendioso que o atual, sem falar que ninguém dependia do
petróleo, pois os trens eram elétricos, e eletricidade
havia na quantidade necessária.
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