Associação Comercial e Industrial de Limeira
27 de mar a 02 de abr de 2008

Editorial

Urgência na volta das ferrovias

Ocupam-se todos os meios de comunicação, principalmente os canais de televisão com o precaríssimo estado de conservação das rodovias brasileiras, não só as do sul e sudeste, mas também as que servem o nordeste e norte do País. Há casos em que o abandono dessas rodovias chega a ser lastimável, tornando-se verdadeiro perigo para quem precisa transitar por elas. Ainda no final da semana passada os jornais de tv exibiram fotos de estradas e pontes que são verdadeiros pontos de constantes acidentes fatais, além dos enormes prejuízos causados aos proprietários de veículos de passeio e de carga.
Não se sabe – porque ninguém consegue explicar – a razão dos governos federal e estaduais não darem a devida atenção a um problema que, por sua importância, aflige aos que se utilizam do transporte rodoviário, hoje um caos nacional, o que ninguém pode contestar.
Anos atrás, tomando-se Limeira como exemplo, as estradas de ferro cumpriam com exatidão e sucesso a missão que lhes cabia. Veja-se que a cidade era ligada à capital do Estado por quatorze trens diários, e, igual número por aqui passava para o interior, chegando até ao extremo norte paulista. Os trens de passageiros eram limpos, rápidos, seguros e confortáveis, possuindo carros restaurante e serviço postal. Correspondência e jornais aqui chegavam às primeiras horas do dia. Além das composições de madeira especial corriam os trens de aço. Um deles, o especial, tinha ar condicionado, música, tapetes, gravuras e ninguém viajava em pé, pois os bilhetes só eram vendidos em número exatamente igual ao das poltronas. Lembre-se que a pontualidade era questão sagrada, tanto que pelo “relógio da estação” os demais se acertavam. Algumas composições traziam o carro “pulman” com poltronas estofadas e giratórias, como também os “reservados” para seis lugares e mordomia. Quanto à segurança basta dizer que nunca foi registrado um acidente, o que está bem longe do que agora acontece com as nossas estradas. Não se pode deixar de citar que no transporte ferroviário nunca existiu o pedágio. Há ainda algo a acrescentar quanto ao transporte de carga que entrega as mercadorias com pontualidade, na estação e destas, para quem preferisse, as encomendas chegavam ao seu destino por caminhões da CPT e CGT, que trabalhavam em conexão com a rede ferroviária. Dadas estas considerações está incontestável provado que o transporte ferroviário é o melhor, mais seguro, mais rápido e muito menos dispendioso que o atual, sem falar que ninguém dependia do petróleo, pois os trens eram elétricos, e eletricidade havia na quantidade necessária.