| Há dez meses, quatro ex-colegas de faculdade
resolveram se unir para criar um clube de investimentos, o Quaestor.
A idéia dos jovens era acumular patrimônio e garantir
a aposentadoria. Mas a união logo se tornou assunto sério,
tamanho o rendimento que atingiram com a administração
dos papéis do clube: uma média de 8,5% ao mês,
enquanto o Ibovespa, principal termômetro do mercado brasileiro
de ações, alcançou a média mensal de
4,6% nos primeiros dez meses de 2007. O patrimônio inicial
do Quaestor, que era de R$ 15 mil, cresceu com o número de
cotistas. Hoje são 20 pessoas, que já acumulam R$
280 mil investidos.
Assim como estes amigos, cada vez mais grupos de pessoas se reúnem
para investir. Para isso, formam clubes de investimentos. Há
dez anos, havia 162 clubes, com 62,3 mil investidores. Hoje já
são 2.050, com 150 mil pessoas. E, para criar um clube, não
é preciso ser especialista. “As corretoras de valores
dão o suporte de que os iniciantes precisam, como ajudar
a escolher os papéis e a montar o estatuto do clube”,
afirma o consultor financeiro Gustavo Cerbasi. No estatuto, que
todo clube deve ter, ficam estabelecidos, por exemplo, o investimento
inicial por participante e a política de compra das ações.
Nas corretoras, há modelos prontos — só é
preciso adequá-los às preferências do grupo.
“É necessário também eleger um coordenador,
que será a voz dos membros na corretora e comunicará
as decisões do grupo”, diz.
As escolhas são democráticas, já que todos
opinam na hora de investir. Por isso, o melhor é criar um
grupo entre quem tem idéias parecidas de aplicação,
conservadoras ou arrojadas. A grande vantagem do clube em relação
aos tradicionais fundos de ações, segundo Cerbasi,
é a possibilidade de se mudar de idéia em relação
aos negócios e ajustar a carteira ao perfil do grupo.
CAUTELA
Para quem é estreante na renda variável,
Cerbasi recomenda cautela. Para “sentir” o mercado,
segundo ele, o melhor é começar comprando as blue
chips, conhecidas por terem grande volume de negócios. Optar
por papéis de empresas que paguem dividendos também
é uma boa opção, pois em tempos de baixa elas
garantem algum rendimento. Aos poucos, as análises de potencial
de valorização das ações feitas pela
corretora ou mesmo pelos membros dão uma direção
às aplicações.
Dos 182 clubes de investimentos que a corretora Geração
Futuro administra, 141 foram criados por novos investidores. Há
quem esteja poupando para fazer uma viagem à Europa em dois
anos, pais que investem para pagar a faculdade do filho ou casais
que compram cotas dos clubes de investimento para, com os ganhos,
dar entrada na casa própria ou comprar um imóvel à
vista. “Como dá para os investidores decidirem com
que papéis querem compor seus clubes, a grande maioria consegue
rendimentos maiores que o próprio Ibovespa”, disse
o sócio da Geração Futuro, Wagner Salaverry.
Mesmo com rendimentos atrativos, é preciso ficar atento às
taxas de administração cobradas pelas corretoras de
valores, que variam entre 1% e 4% ao ano. Esses clubes são
isentos de Imposto sobre Operação de Crédito,
Câmbio e Seguros (IOF) e CPMF. Já a alíquota
do Imposto de Renda é de 15% sobre os rendimentos —
valor tributado apenas no resgate dos recursos, e não mensalmente,
como ocorre nos fundos de investimentos.
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